O engenheiro penedense e ex-deputado Ronaldo Lopes (sem partido), toma posse na direção geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Alagoas - DER nesta sexta-feira (23), às 11 horas, na sede do órgão, no Tabuleiro dos Martins, em Maceió.
Ronaldo Lopes tem larga experiência no setor público. Foi presidente da Cohab-AL no governo Divaldo Suruagy, superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba - CODEVASF e secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Naturais no governo Ronaldo Lessa.
Um relatório divulgado pela consultoria do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido Brasileiro (PRO-ÁGUA/SEMI-ÁRIDO) do Banco Mundial, que analisou a situação da gestão dos recursos hídricos em Alagoas, assinado pelo consultor Luiz Corrêa Noronha, no final do governo Ronaldo Lessa diz, textualmente, que “Hoje, de acordo com estudos elaborados pela ANA, os quais permitem comparar a situação da Gestão em todos os estados brasileiros, constata-se, de acordo com as conclusões destes consultores, que o Estado de Alagoas tem uma das melhores situações de Gestão de Recursos Hídricos no território nacional, estando entre os 10 (dez) Estados de melhor Gestão do país.”
Fontes ligadas ao Palácio República dos Palmares garantem que os critérios para a escolha de Lopes para o DER foram técnicos e éticos. Aliás, ética, competência e honestidade foram os critérios defendidos pelo governador Teotônio Vilela, quando em campanha, para a escolha de seus auxiliares.
22 de Fevereiro de 2007 às 14:35
Martha Martyres
O sol se põe em terras sergipanas e eu me debruço sobre a Rocheira olhando o rio. É fim de tarde e começo de cheia. A água desce murmurosa e segue caminho para o mar em sua periódica inundação. Não importa, nesse caminhar, o que digam os técnicos e tecnocratas. Se há comissões que definem o tamanho de sua vazão, não podem impor a cor das suas águas e nem a velocidade com que percorre o caminho. Não importa o tempo de recorrência. Importa o agora, o presente, o instante.
Lanço meu olhar além da linha visível, sonho com o rio de minha infância.
São Francisco da minha vida! Vejo-me criança, peneira na mão: “cai cai tanajura na panela da gordura”. Vejo-me a percorrer a margem do rio, na Saúde, pescando de jereré, “ariando” panelas, colocando roupas para “quarar”, pulando das canoas que gentilmente permitiam que as fizéssemos de trampolim, nadando em braçadas largas para o estado de graça de voltar ao útero de minha mãe.
Esse é o meu rio! Brinquedo da minha infância, amigo da adolescência, companheiro da maturidade.
Em meus devaneios, vejo as canoas singrando as suas águas. Posso sentir o cheiro dos bolinhos fabricados de massa de pó de arroz, do pirão feito com farinha, para pescar piabas; ouço o chiado dos cutelos raspando as tabocas para fazer os covos e meu estômago se anima ao captar o aroma do camarão torrado e da farinha quentinha no forno da casa de farinha.
Volto aos barrancos, à curva do rio, ao refúgio dos peixes. Xiras, traíras, piranhas, piaus, mandins, mussuns…e como se fizéssemos um pacto de sangue, o rio incorpora-se ao meu corpo, entranha-se na minha alma.
Meu coração desanda o ver o rio. Ora sou remanso, ora sou correnteza, ora sou água ou nem sei quem sou…
Ouço o ruído das águas correndo, os estalos da vegetação, o assobio dos pássaros.
E agora ele vem barrento, carregando consigo as cores de suas margens desmatadas pela ignorância e ambição dos homens. O rio não é como o homem, que tem como optar. Ele segue e deságua. Assinala sua presença em aflições e bênçãos, mas é fiel ao seu povo.
A enchente é o descanso do rio em seu leito e nele traz corpos colados ao seu ou que aguardam a hora de entrelaçar-se. É o seu leito que se abre, alaga o sertão, arrasta erva braba e mandacaru, traz ninho de cobra e tatu.
Suas águas vão passando. Carregam troncos, baronesas, árvores mortas, e o céu chora de emoção contribuindo para sua grandeza.
E o povo de suas margens emudece diante de sua força, faz festa, mede minuto a minuto a subida de suas águas. Os mais afoitos se alegram e se transformam na criança que fui. Pulam do cais, das canoas, experimentam a sensação sublime de flutuar sobre ele.
As cidades, os lugarejos vão ficando para trás e, de repente, lá na foz, o mar abre os braços numa demonstração de incontestável afeto.
Esse é o meu rio que busca revitalização e respeito e que, numa demonstração de solidariedade, vem trazer fartura para o povo que mesmo em suas margens tem fome e sede. Meu rio, nosso rio que vem mostrar aos homens que nenhum tipo de poder ou quantidade de dinheiro podem ser mais fortes do que a fé do povo e a força da natureza.
Quando as águas baixarem, São Francisco, o rio, terá cumprido o seu destino na integração nacional ofertando vida a milhões de brasileiros. São Francisco, o santo, vai descer do altar lá na Serra da Canastra e percorre-lo, até a foz, recontando os animais, ajuntando os que se perderam, curando os que ficaram feridos e colhendo ramos de arnica e carqueja, que são remédios para todos os males.
7 de Fevereiro de 2007 às 14:15
Martha Martyres