A política da intimação e da intimidação
Há 17 anos estamos no ar!
Há 17 anos prestamos serviço à comunidade penedense e sanfranciscana.
Em todos os momentos estivemos presentes na vida, no dia-a-dia de nosso povo, de nossa cidade, de nossa região.
Juntos, enfrentamos o fogo e a água. Ajudamos a apagar incêndios e auxiliamos pessoas ilhadas pelas águas das chuvas e das cheias do Rio São Francisco.
Juntos, buscamos a luz quando havia escuridão; a estrada, quando havia incerteza; os caminhos, quando havia indecisão.
Durante esses 17 anos que acabamos de comemorar, lutamos juntos por cidadania, questionando a inoperância e a ineficiência, denunciamos a deslealdade e o oportunismo.
Juntos, nós e o povo, nossos ouvintes, lutamos por dias melhores alicerçados pela fé e a esperança que movem o ser humano.
Quantas lágrimas de dor transformamos em sorrisos! Quanta emoção ainda ecoa nas paredes acústicas desses estúdios!
Aqui, acudimos mães desesperadas, homens indignados, mulheres vilipendiadas e crianças vitimadas pelo descaso, pela violência e insensatez do ser humano!
Quantas mães reencontraram seus filhos e filhos reencontraram suas mães através das ondas do rádio? Quantas famílias foram reunidas, perdoadas, redimidas? Quantos homens e mulheres conseguiram emprego e a possibilidade de sustentar dignamente suas famílias através de nossa prestação de serviço?
Foram tantos eventos! Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal Sem Fome, Dia do Estudante, Dia do Motorista, Papai Noel das crianças carentes, ajuda aos idosos, leite para as crianças desnutridas, agasalhos para os que têm frio, alimento para os que têm fome!
Através de um trabalho reconhecido pela sociedade, ajuntamos parceiros para dar o melhor de si e de nós na luta por uma cidade mais justa e mais humana.
Através dos microfones desta emissora, levantamos paredes, sustentamos telhados, enveredamos pelos caminhos tortuosos da defesa inarredável da cidadania como defensores que somos, diariamente, daqueles que nos procuram, acreditam e confiam no nosso trabalho!
Quantos objetos devolvemos? Não contamos, não importa!
Sabemos apenas que prestamos serviço à sociedade honrando o compromisso e a missão que nos cabe como meio de comunicação.
É por tudo isso que hoje lamentamos a decisão de interromper uma relevante prestação de serviço ao nosso povo: a recepção e entrega de documentos e objetos perdios e/ou encontrados.
Por mais de 17 anos prestamos serviço devolvendo documentos e cidadania, pois é isso que o documento representa. Hoje, somos obrigados a interromper esse serviço.
Nunca, nem mesmo nos piores momentos em que tivemos de lutar contra a tirania e o cerceamento da liberdade de expressão e de direitos, fomos intimados como testemunhas de crimes que não presenciamos e mais ainda, não praticamos.
A intimação e a intimidação de funcionários dessa emissora é uma prática que não podemos aceitar.
Receber um documento encontrado por algum transeunte penedense passa a ser considerado no atual momento de nossa cidade, um ranstorno e um perigo ao qual não podemos expor os nossos funcionários.
Se a Polícia Civil, que em Penedo tem sido alvo de inúmeras reclamações por sua ineficiência, entende que receber um documento perdido/encontrado implica em prestar testemunho de um crime que supostamente tenha sido cometido, não podemos submeter nossos colegas a tal constrangimento.
Durante esses 17 anos de empresa e mais de 20 anos de rádio, espontaneamente testemunhei várias vezes em busca de justiça. Perdi a conta de quantas vezes encaminhei às autoridades policiais, ao Ministério Público e ao próprio Poder Judiciário elementos que permitiram que a tão propagada justiça fosse praticada.
Agora, as circunstâncias exigem que nos coloquemos na defensiva.
É claro que não deixaremos, jamais!, de prestar serviço à população e buscar a justiça. Não arredamos pé dos nossos ideais e nem de servir ao nosso povo, mas não vamos servir de munição para um comportamento autoritário, prepotente, trôpego e obsoleto, resquício de uma época que envergonha o nosso estado e mira na cidadania de nossa gente!
É claro que os incompreensíveis acontecimentos deixam dúvidas sobre as verdadeiras intenções. O que será que está motivando esse tipo de comportamento? A quem servem? O que esperam conseguir?
A essas perguntas, devemos acrescentar outras: por que a população tem reclamado tanto do atendimento na Delegacia de Penedo? Por que em determinados horários a delegacia está fechada a chave? Por que há mais de trinta dias não se apura casos graves e de conhecimento da sociedade como, por exemplo, estupro envolvendo menores, segundo denúncia do Conselho Tutelar? Por que a relação de bens (jóias e objetos) recuperados pela Polícia Militar e entregues da Delegacia de Penedo mediante recibo não corresponde aos bens recebidos pela vítima?
Enquanto uma funcionária desta emissora é intimada como testemunha de um suposto crime por ter recebido um documento na recepção e cumprido o seu papel de divulgar e entrega-lo ao dono, os verdaeiros bandidos, aqueles que matam, assaltam, estupram e aterrorizam a população estão à solta nas ruas da cidade. Por quê?
6 comentários 14 de Março de 2007 às 17:48 Martha Martyres