Arquivo de 3 de Agosto de 2007

PARA ENTENDER OS LOUCOS

Loucos necessitam da loucura para se justificar, para se realimentar. O paranóico que acusa a todos à sua volta de paranóia, está apenas criando ambiente e clima onde sua enfermidade torna-se legitimada e até mesmo necessária. Até sua irritação só se manifesta diante da irritação do próximo. Qualquer reação que fique enrustida será imediatamente copiada.
Bem, não quero e não vou fazer uma conferência sobre os mistérios da alma humana porque não tenho autoridade para isso, mas me refiro a determinados episódios que exercem sobre certos espíritos uma influência doentia.
São essas tais situações externas, dramatizadas pela angústia, pela insegurança, pela prepotência e pela opressão que mudam o curso da história de uma cidade ou de uma comunidade.
Vamos considerar como exemplo o caso da Polônia. Lembram do sindicato Solidariedade? Era um sindicato formado por mais de 10 milhões de membros. Era um movimento não violento que tentava obter através de greves e manifestações pacíficas uma abertura no rígido regime imposto pelo socialismo soviético. Então, por que o governo soviético da época, através do exército polonês, criou todo aquele clima de neurose e terror na Polônia e que repercutiu no resto do mundo? Porque em um sistema repressivo não se correm riscos desnecessários. Um regime autoritário não sabe manter uma negociação com um movimento não violento sem que para isso deixe de ser autoritário.
Se um ditador senta à mesa de negociação, deixa de ser ditador. Se os ditadores pretendessem fazer política, não seriam ditadores. Se um machão avaliasse que existem outras formas de manter uma relação com uma mulher, não seriam machões. É aquela velha estória de que bandidos estão sempre armados, com o dedo no gatilho.
Analisemos o governo atual. Anos atrás, aqueles que hoje são governo invadiam nossas casas dizendo-se acuados, perseguidos, injustiçados, e armaram novas regras para o jogo. Hoje, preocupados com o esfacelamento do próprio governo, com a prática corriqueira daquilo que eles próprios condenaram a vida inteira, tentam, desesperadamente manter o governo e sobretudo o poder. Agora são eles que acusam, encurralam e perseguem.
O nosso governo sabe fazer o jogo. O nosso governo exacerba ao ânimos porque somente nessas condições frenéticas tem a justificativa para agir com insanidade.
Assim é em determinados setores de nossa sociedade e, principalmente, como agem determinadas pessoas que, pela força dos cargos habituaram-se a ser obedecidas e que se auto-intitulam de concentradores de toda a honestidade do mundo.
Quando um louco precisa de um conflito para firmar-se, fatalmente ele consegue deflagrar esse conflito, principalmente quando seus parceiros nesse conflito estão sobressaltados com sua incapacidade de negociar com os contrários.
Os que abocanham o poder, seja no país, em casa, no trabalho, na escola ou no hospital, não admitem alterar a situação abrindo mão involuntariamente de seus benefícios.
Todo processo ditatorial contém dentro de si o germe dessa fantasia histérica de perder as rédeas do jogo.
Entender pessoas hoje em dia com o auxílio da psicologia é relativamente fácil. Entender o óbvio também não é difícil. A alma coletiva não difere muito da individual. Pessoas, partidos, municípios, estados, entidades e nações são regidos pelos mesmos mecanismos e leis.
Um filósofo francês dizia que a história é psicologia aplicada. Sendo assim, pode-se até não gostar de política, mas fica relativamente fácil perceber os loucos propagando suas loucuras.
Em Penedo, basta olhar em volta!

5 comentários 3 de Agosto de 2007 às 15:30 Martha Martyres


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