O Porquê de Escrever
24 de Setembro de 2007 às 16:05 Martha Martyres | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 193
Dois fatores fundamentais contribuíram para que eu aprendesse a escrever: a paciência de Tia Crizantina Espinheira, na Escolinha da Casa São Francisco do Convento de Santa Maria dos Anjos e o carinho de minha mãe, Dona Lourdes, que segurava minha mão e a conduzia pelo que mais tarde seria a minha própria vida. Do meu pai, José Vécio, lembro a exigência: escrever bonito, com letras bem desenhadas e em vários estilos. A letra foi uma das marcas e uma das coisas mais bonitas que ele deixou.
Naquela época, no entanto, jamais imaginei que escrever, brincar com as letras e as palavras, fosse se transformar em uma das coisas mais importantes de minha existência.
É escrevendo, manchando a brancura e a virgindade do papel que eu me encontro, de preferência, nas madrugadas, quando o silêncio desarma os sinais de contramão das minhas estradas.
É escrevendo que eu alcanço espaços e neles coloco minha alma e meus sonhos, vencendo o estado de demência provisória provocado pelas paixões. É quando eu consigo retratar, fielmente, minha solidão e me revelo exatamente como sou.
O papel tem sido o meu mais fiel companheiro, cúmplice das minhas contundentes verdades. Escrevendo sobre o amor, a paixão, a violência, a sobrevivência, a política, crianças abandonadas ou sobre a inexorabilidade da vida, é o papel quem tem estado sempre ao meu lado, partilhando a determinação de abrir a trilha, a cotoveladas se preciso for. É ele quem me ajuda a resistir quando me inclino a pedir ajuda àqueles a quem devo proteger, enfrentando o julgamento dos homens e a prepotência dos poderosos. A ele, o papel, posso me entregar sem o medo de me tornar vulnerável ou ser traída na sublimidade dos meus propósitos.
Escrevo para aprender a ser gente. Para me fortalecer quando tiver que lutar contra o desgoverno do destino, para continuar na busca interminável do absoluto.
Acompanhada do papel e armada com meus sonhos, talvez, quem sabe, numa dessas madrugadas, eu encontre a essência da vida.
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1 Comentário Faça seu próprio
1. ROBERTO | 26 de Setembro de 2007 às 10:27
Amei, a crônica. É isso que falta na nossa gente,quando o essencial não é mais escrever.Por vários fatores,a mudança constantes,e o acesso fácil a eles, será que escrever como antes com alma e corpo vai acabar?
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