Quem será o próximo?
Recolham-se todos os cardápios de todos os restaurantes, bares, lanchonetes e similares da tradicional, histórica e turística cidade do Penedo, Patrimônio Histórico Nacional.
Fechem-se as portas, recolham-se as mesas, cadeiras, sombreiros. Desliguem o som, ou melhor, toquem a marcha fúnebre dos sepultamentos gloriosos.
Penedo está prestes a recolher-se ao comando da insanidade!
Quem será o próximo?
Vamos imaginar que, de repente, todos aqueles que direta ou indiretamente estiverem ligados a alguma denominação gastronômica, sintam-se ofendidos ou injustiçados.
Deixaremos de experimentar as delícias de uma culinária que é chamariz turístico em várias partes do Brasil e do mundo, sob pena de prisão e desonra.
Comer um filé à Chateaubriand? Jamais! É correr o risco de os descendentes de Assis Chateaubriand nos submeterem a chantagem, já que o velho Chatô deve ter deixado valorosos ensinamentos!
Pedir um Bacalhau à Gomes de Sá? Ora pois! Nossos compatriotas portugueses vão enviar novas caravelas para nos espoliar ainda mais destruindo o pouco de Mata Atlântica que nos resta e as jazidas de nossas Minas Gerais.
Saborear um Maurício de Nassau? Impensável! Da Embaixada Holandesa certamente advirá um processo por damos morais e a alegação de que o heróico conquistador era espada!
E os times?! Imaginem se aqueles cartolas corruptos do Corinthians ficam sabendo que aqui, no Laçador, tem sanduiche com o nome do Timão! Eles, que burlaram até a KGB iriam querer, no mínimo, lavar dinheiro com catchup e mostarda.
Ninguém mais se atreveria a comer o carangueijo do Jorjão, o mocotó da Marlene ( nem o governador que gosta tanto!), a galinha do Galego,o jacaré do Babalú, o filé de peixe Dalila, o tambaqui do Luizinho!
Tudo isso seria muito engraçado, cômico, hilário, numa cidade histórica e cheia de tradições e que convive com singularidades denominativas como Rua da Priquita, Beco do Cabula, Cacete Armado, Beco da Goiaba, Ilha do Jegue e tantos outros, não fosse a atitude autoritária, insana e descabida que neste domingo levou o proprietário da Lanchonete Mister Burger á prisão.
Autoridade. Segundo o Aurélio, o dicionário, o pai dos burros como chama o povão, significa direito ou poder de fazer-se obedecer. No entanto, na mesma fonte de pesquisa, é possível observar que está autorizado, o que significa poder, aquele que é digno de respeito, obediência e crédito.
Autoridade é uma coisa. Autoritarismo é outra.
Afinal, não chegou a hora de nos perguntarmos porque temos tanto medo de autoridade? Afinal, quem é autoridade? Autoridade é aquele ou aquela a quem nós pagamos através de nossos impostos e que através do poder garantido a nós na sagrada Constituição da República está investido de um poder que serve para defender e garantir os nossos direitos proporcionando ao cidadão a garantia e os rigores da lei. Nem mais nem menos.
Desde o início deste ano (e eu não quero, de forma alguma atribuir esses episódios ao início de um novo governo, até porque votei, fiz campanha, pedi voto e acredito no extraordinário caráter democrático do governador Teotônio vilela), que acontecem fatos no seio de nossa comunidade que carecem de uma profunda e desapaixonada reflexão, especialmente no que diz respeito à segurança pública e, em especial, ao mister desempenhado pela Polícia Militar de Alagoas no nosso dia-a-dia.
A gloriosa Polícia Militar de Alagoas não merece que seu conceito, sua missão institucional, sua dignidade e o caráter e a dignidade pessoal dos que detêm suas patentes sejam avaliados com base em um cardápio de lanchonete que existe há doze anos na cidade e que nunca, repito, nunca, qualquer indivíduo são, militar ou civil, tenha-se sentido ofendido, desrespeitado ou desautorizado na sociedade.
O fechamento da lanchonete Mister Burger e a prisão de sue proprietário determinados pelo comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar em Penedo por não ter recolhido os cardápios que contêm patentes de diversas forças denominando sanduíches é uma atitude da qual não tenho lembrança sequer nos tempos da ditadura em que se prendia, batia e arrebentava sem motivo.
“ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;” é o texto do inciso LXI do artigo 5º da Constituição Federal. A Constituição foi violada em Penedo. Os direitos e as garantias individuais e coletivas da sociedade penedense vêm sendo vilipendiadas dia após dia por atitudes que só a psicanálise pode explicar.
No governo que se propõe a percorrer os caminhos da “Pregação da Liberdade”, do grande defensor do cidadão brasileiro e da democracia, do Menestrel das Alagoas, ninguém está seguro.
Quem será o próximo?
Com a palavra as autoridades, ou melhor, os que estão autorizados porque atendem aos requisitos do respeito e do crédito.
8 comentários 8 de Outubro de 2007 às 16:59 Martha Martyres