Arquivo de 7 de Janeiro de 2008

A Fase dos Abraços

Os feiticeiros do grande logro chamado “justiça social”, estão, mais uma vez, excitados no terreiro.
De repente, como se saídos das profundezas da terra, de um sono restaurador, surgem os candidatos e os discursos que visam a criação de um programa que “liberte o povo da opressão política e econômica”e que lhe dê efetivas condições de progresso material e cultural. Ainda mais que de repente, todos aqueles que receberam do povo um mandato e que deveriam ter na palavra e nas ações os instrumentos para o exercício de sua nobre missão, parecem acordar do vantajoso sono, que para alguns, já dura há alguns anos.
Desta vez, mais uma vez, estão receitando doses cavalares de “boa” administração (para eles próprios) e “ajuda” aos necessitados, a pretexto de introduzir mágicos efeitos saneadores sobre um caos que não tem fronteiras: segurança, educação, saúde, respeito e dignidade para o cidadão, valores morais, família… tudo o que está contaminado pela corrupção que plantou raízes profundas na terra de Graciliano Ramos.
Diante de uma população cada vez mais pobre, erguem-se vozes eloqüentes e hipócritas na tentativa de, mais uma vez, ludibriar esse povo sofrido e cansado de esperar que os homens públicos desse país desgovernado comportem-se dignamente.
Fala-se na formação de grupos suprapartidários que têm como objetivo transformar cidades, o estado e o país. Fala-se na escolha de candidatos de consenso que estejam dentro de critérios estabelecidos pelos “grupos”. Os critérios: para o povo, honestidade, seriedade, compromisso com a população; para os “grupos”: esperteza e o compromisso de ratear os recursos que conseguirem desviar das políticas públicas. Ah!, pode ser até da merenda escolar de crianças famintas.
Chegou a hora. Nas ruas, o povo, ingenuamente, responde às pesquisas que em sua grande maioria são fraudadas, discute sobre esse ou aquele candidato, até se indispõe com o vizinho, o compadre, o colega de trabalho. Tudo pela política. Nos bastidores, fazem-se capitulações desonrosas e adesismos indecorosos.
Chegou a hora. Daqui a alguns meses vamos presenciar a fase mais aguda dos abraços. Alguns candidatos vão exibir soluções para tudo e para todos. De casa em casa, eles vão aspirar o hálito de cebola do eleitor, apertar a mão do vendedor de peixe, comer saburica com farinha na cozinha humilde da dona-de-casa (e até fazer questão de dizer que é seu prato favorito). É hora dos candidatos vestirem roupas simples e calçar sapatos furados e ao invés do Armani usar Leite de Rosas para ter cara e cheiro de povo.
Chegou a hora de analisarmos o modo de agir de uma “elite”, essa sim, elite, que se socorre de manifestações exteriores para compensar o eleitor e, num bote de efusão, com o tilintar do quizo, selar um compromisso com aquele que vai empurra-lo na direção desejada: o eleitor.
É uma pena que alguns desses contratos, anteriormente firmados, tenham sido tão vergonhosamente desrespeitados. O povo ainda é muito ingênuo e vai receber, ingenuamente e com festa, muitos desses políticos corruptos que enriqueceram ilicitamente no poder e estão desesperados para voltar porque não sabem e não podem viver sem as “facilidades” que ele proporciona.
De qualquer forma, ainda nos restam três coisas a fazer: ter esperança, lutar por dias melhores e assistir maravilhados ao curioso desfile de abraços na maratona pelo poder.
Ah! Especialmente para o leitor, aquele abraço!

6 comentários 7 de Janeiro de 2008 às 16:57 Martha Martyres


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