Da esperança à indignação.
Nas ruas, na fila do banco, enquanto escolhemos produtos nas gôndolas dos supermercados, no ponto do ônibus ou nos encontros sociais, ouve-se apenas o murmúrio que vem das entranhas de um povo revoltado com a atual situação que envolve uma parte considerável dos políticos de Alagoas.
A voz do povo nas ruas qualifica essa situação de absurda, inaceitável, vergonhosa e tantos outros adjetivos, alguns impronunciáveis.
Estamos vivendo em Alagoas um tempo de muita indignação, mas, por isso mesmo, de profundas mudanças. É importante insistir neste ponto: um tempo de profundas mudanças.
Existe hoje um quase consenso que Alagoas nunca mais será o mesmo depois das denúncias de corrupção que envolvem os deputados estaduais, secretários de estado, prefeitos, vereadores, servidores, policiais e muitas outras “autoridades” alagoanas que durante muito tempo usufruíram de prestígio junto à população a ponto de até se elegerem pelo voto popular.
A indignação está nas ruas, no rosto dos que exigem a cassação dos mandatos dos políticos e a prisão dos envolvidos nessa quadrilha que assalta, há anos, os cofres públicos.
A indignação está nos lares, principalmente naqueles mais humildes onde os discursos das campanhas eleitorais entram como um raio de esperança.
E por falar em esperança, quantas vezes e em quantas campanhas políticas vimos muitos desses que hoje ocupam as páginas policiais pregar honestidade, seriedade, decência, transparência?
Quantas vezes vimos homens de punhos cerrados e erguidos, identificando-se com aqueles que lhes prometiam uma nova vida! Vimos esperança no olhar de mulheres prenhes de fato e de fé, numa resignação divina daqueles que esperam pela vitória final.
Agora, a indignação tomou o lugar da esperança e da fé e está nas ruas, nos lares, nas filas de desempregados, nos campos, nos corredores dos hospitais, na violência das ruas, na miséria e na fome que poderiam ser combatidas com programas financiados pelos duzentos e oitenta e tantos outros milhões roubados do povo alagoano.
As denúncias de corrupção geram protestos, revolta, mas é preciso lembrar que estamos vivendo, também, um tempo de liberdade, de democracia. É preciso não esquecer que as denúncias estão ao alcance da sociedade em todos os meios de comunicação e que a informação é a única forma de constranger os desonestos.
Estamos em um ano de eleições. Dentro de poucos meses os ilusionistas estarão novamente nos palanques na tentativa de ludibriar os eleitores com suas promessas mágicas e seus discursos demagógicos. Agora, é a hora de o eleitor exigir a inversão do ônus da prova. Nada de cobrar de nós a responsabilidade de escolher bem e blábláblá…, os políticos, nessa eleição, principalmente esses que são freqüentadores assíduos das páginas policiais, terão que provar que são inocentes e, de preferência, honestos. E sabem o que diz a voz do povo nas ruas: Essa é uma missão impossível!
1 comentário 5 de Março de 2008 às 16:13 Martha Martyres