Arquivo de Abril de 2008

ISABELLA, uma vítima das paixões humanas

A menina Isabella está morta. Nada vai mudar essa realidade. A dor da mãe e da família, o remorso eterno de seu pai, a cruz da culpa numa mistura de sentimentos apavorantes que tumultuam o espírito da madrasta, nada vai mudar essa triste realidade.
Esse não é um conto de fadas onde há um pai omisso, uma madrasta má e onde no final a bruxa é punida e todos são felizes para sempre. Esta é uma história real.
Isabella é mais uma das vítimas das paixões humanas, desses sentimentos que permeiam os relacionamentos por vezes doentios entre as pessoas.
Ana, a madrasta, não é uma bruxa e nem queria matar Isabella. Queria sim, distância daquela menina cuja presença torturava sua insegurança e seu ciúme. Ana é uma mulher que, como tantas outras, tem dificuldade de aceitar que o homem amado tenha vivido outra vida senão aquela partilhada à vista de seus olhos.
Isabella foi vítima desse tipo de amor: o amor alucinante, dependente, sufocante, destrutivo. Um amor que vacila entre a loucura absoluta e uma felicidade torturante, sem paz, sem perspectiva, sem esperança e sem fé.
Desde o instante em que a primeira notícia foi ao ar, milhões de brasileiros passaram a acompanhar passo a passo o noticiário e a investigação. A verdade é que nenhum de nós acreditou na versão inicial dos fatos narrados pelos envolvidos e familiares que, pouco a pouco, vão-se desfigurando mediante os depoimentos das testemunhas, a perícia e as evidências do caso.
A poucas horas, talvez, do anúncio oficial da polícia paulista do pedido de indiciamento da madrasta e do pai de Isabella pelo assassinato da menina, o Brasil inteiro continua se perguntando o que aconteceu naquele endereço que ficará marcado para sempre pelo sangue de uma graciosa criança que gostava de dançar, sorrir, cantar.
Ficamos observando as informações das perícias e a cada revelação nos perguntamos: O que terá levado Ana a uma atitude tão agressiva? O que desencadeou essa reação? Uma palavra dita? Um gesto? Uma birra infantil? Uma disputa entre os irmãos por um bicinho de pelúcia? Um choro de bebê? Um machucado em um dos filhos biológicos de Ana e Alexandre?
Alguma coisa aconteceu ali dentro que desencadeou uma fúria impulsiva capaz da tentativa de estrangulamento.
Mas, quando Isabella desmaiou, por que a razão não se sobrepôs à fúria?
E depois? Por que Ana não gritou por socorro? Por que Alexandre ao invés de sair com a filha nos braços em busca de ajuda, resolveu joga-la pela janela do quarto simulando um crime praticado por outra pessoa? Que mente é essa que consegue engendrar, tão rapidamente, um plano dessa magnitude envolvendo a carne de sua carne, o sangue de seu sangue?
São realmente inocentes? Quem acredita em suas versões?
Não vai haver respostas. Prisão, indiciamento, execração, psicologia forense, condenação, nada vai responder satisfatoriamente a essas perguntas que estão na cabeça de cada um de nós.
A única certeza que fica é a de que, por sermos humanos, suscetíveis a comportamentos incompreensíveis, devemos orar pelo espírito de Isabella e rogar a Deus que nos dê a sabedoria de não confundir o verdadeiro amor, sentimento maior da humanidade, com o descontrole das paixões humanas obsessivas que compartilham o misterioso binômio crime e castigo.

1 comentário 16 de Abril de 2008 às 17:24 Martha Martyres


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