Arquivo de Maio de 2008

É por isto que querem a ponte lá na Foz?

O que é um resort e o que trás de bom para o povo do local em Brejo Grande? É por isto que estão pressionando para que a ponte que seria entre Penedo e Neópolis vá para Brejo Grande?
E os nossos políticos, os governos dos municípios de Penedo, Igreja Nova e o governo do estado, os deputados federais, as lideranças, afinal, vão ou não vão tomar posição?
Além do prejuízo ambiental, queremos a ponte porque queremos o progresso não apenas do turismo dos ricos. Queremos transporte para a produção do Platô de Neópolis e do Projeto Marituba em Penedo, para a produção de arroz e da piscicultura. Penedo já é hoje um pólo educacional, queremos a ponte para facilitar e baratear a vida dos estudantes e de suas famílias.
Queremos a ponte sim e devemos lutar por ela. Se as estradas abrem os caminhos do desenvolvimento, as pontes significam a vitória sobre os obstáculos desse mesmo caminho.
Considerada “Berço da Civilização Alagoana”, a “Cidade dos Sobrados”, assim denominada pelo sociólogo Gilberto Freyre, apresenta hoje grande potencial turístico e econômico, tanto pelas belezas naturais quanto pelo inquestionável patrimônio cultural.
Atualmente, Penedo reveste-se de grande importância no desenvolvimento educacional do Baixo São Francisco. A consolidação do Pólo Penedo da Universidade Federal de Alagoas-UFAL, com os cursos de Engenharia de Pesca e Turismo e a implantação do Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET, oportunizando a formação profissional de milhares de jovens dos estados de Alagoas e Sergipe, representa um marco extraordinário para a região. A tão esperada revitalização do Rio São Francisco e a possibilidade de expansão do Arranjo Produtivo Local – APL da Piscicultura, bem como a perspectiva do desenvolvimento na produção do Etanol, haverão de impulsionar a agroindústria.
Neópolis, município fundado com o nome de Santo Antônio de Vila Nova e elevado à categoria de Freguesia em 18 de outubro de 1679, é considerada a capital sergipana do frevo. Situada às margens do Rio São Francisco, a cidade tem uma vista maravilhosa e destaca-se pela potencialidade econômica do Platô de Neópolis, projeto de fruticultura irrigada do Baixo São Francisco que mudou o perfil social da região. O Projeto está com 30% da sua capacidade produtiva, em torno de 50 mil toneladas. Mas a meta é chegar a produzir mais de 250 mil toneladas.
O Platô produz coco, abacaxi, mamão, banana, maracujá, melancia, limão e tangerina. As frutas são comercializadas nos supermercados locais e exportadas desde Pernambuco até a Bahia. Para o total aproveitamento de sua potencialidade produtiva e viabilidade econômica, o transporte tem importância vital

Veja a matéria da Articulação Popular em Defesa do rio São Francisco e ouçam o grito de uma ribeirinha que luta por Penedo e pela sua região.
QUEREMOS A PONTE PARA CRESCER E PROSPERAR. SE A PONTE É PARA O TURISMO DOS RICOS, ELES QUE GASTEM MAIS COMBUSTÍVEL PARA CHEGAR AO PARAÍSO!!!!!!

Entenda, pra não se deixar enganar!!

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O que é um Resort ou hotel de lazer? é um lugar de luxo usado para relaxamento ou recreação, situado fora do centro urbano com áreas edificadas, voltados especialmente para atividades de lazer e entretenimento do hospede.

Para quem serve um resort? Somente aos ricos que podem pagar diarias caras que chegam até mil reais por dia para passar feriados ou férias. Geralmente, um resort é uma grande seleção com diversas atividades, como bebida, comida, alojamento, esportes, entretenimento e compras.

A quem beneficia? Somente os donos do hotel lucram com o empreendimento. A construtora NORCON (obra normalmente financiada com dinheiro público), deseja possuir todas essas terras de beira rio perto da Foz do Rio São Francisco para lucrar muito dinheiro. Para isso, eles querem retirar as comunidades deste local, pois os resorts precisam fazer a “limpeza visual” no caminho de acesso dos hospedes de luxo. Eles tiram não somente os pobres de suas casas, mas, o que eles consideram feio. Daí comunidades como Resina, Saramém e Brejao dos Negros são ameaçados de serem retirados deste local.

Como ficam os pobres? Os pobres ficam fora de seus território tradicional. Pois o resort não traz emprego para o povo do local, pois eles usam somente a mão de obra altamente especializada em hotelaria, não se enganem, pois, não serão estes pobre que terão esse emprego, inclusive proibidos de venderem artesanatos diretamente aos hóspedes ou mesmo comidas. O meio ambiente também sofre, com a destruição do ecossistema Manguezal, destruição das lagoas, caranguejos, siris, peixes e pássaros. Os impactos causados ao meio ambiente, como poluição, extração inadequada de areia são alguns dos problemas causados por estes empreendimentos.

Acontece que para construir o resort é necessário licença do IBAMA para atestar a viabilidade ambiental do empreendimento. Precisa que o INCRA resolva o problema das terras das populações tradicionais que aqui exista. Que tem que haver preocupação com a participação efetiva das comunidades atingida opinando sobre esse assunto. Acontece que a NORCON aliados aos latifundiários que se apropriaram dessas terras, aos políticos desta região em busca de enriquecimento, não estão respeitando o direito dessas comunidades tradicionais que dependem do rio, do mar e do mangue para viver.

A terra é do povo de Resina, a terra é do Povo do Saramém, a terra é do Povo pobre Quilombola do Brejão dos Negros, a Terra é do povo de Carapitanga e de todas as comunidades que aqui existe. A terra não é de ninguém, a Terra é de Deus, a Terra é dos Pobres. A Terra é das Populações tradicionais que sempre viveram aqui desde mesmo antes e depois da colonização: são os pescadores e pescadoras artesanais, os descendentes dos negros africanos – o Povo Quilombola. Essas comunidades tradicionais são os herdeiros, deixado por seus antepassados e não podem abrir mão deste direito.

Essas terras têm que ser transformadas não em resort para os ricos se beneficiarem. Tem que ser transformadas em Reservas Agroextrativistas - RESEXs e feita a regularização das terras públicas destinadas às populações tradicionais que aqui existem. Onde o Povo viva e cuide da Natureza, sem cercas e sem medo.

São Francisco Vivo: Terra, Água, Rio e Povo!!
Articulação Popular em defesa do Rio São Francisco

7 comentários 5 de Maio de 2008 às 12:06 Martha Martyres


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