PENEDO, A VÍTIMA DA INSENSATEZ POLÍTICA
É lamentável, vergonhosa e de uma sordidez incomensurável a campanha que vem sendo realizada junto a determinados meios de comunicação do estado com o objetivo de denegrir a imagem da cidade de Penedo. Pior. Tem quem se preste a isso sem seguir um dos princípios éticos da comunicação: ouvir ambos os lados, conhecer a realidade dos fatos e só depois, se for o caso, ter um posicionamento opinativo ou simplesmente narrar os acontecimentos para que o público tire suas próprias conclusões.
De repente, após um tumultuado processo político-eleitoral que se desenrolou sob o signo da desconfiança e de supostas irregularidades ocorridas durante o processo eleitoral, Penedo, a histórica e deslumbrante cidade beijada pelo Rio da Unidade Nacional já não é mais a mesma.
Nas eleições deste ano partiu-se, quebrou-se, dividiu-se entre uma Penedo elitista que maquiavelicamente promove acordos espúrios entre alguns falsos moralistas, defensores de uma ética que se esconde nas sombras da noite, e uma outra, formada por gente que se assemelha aos seguidores do famoso e satirizado exército de Brancaleone, um exército formado por gente do povo, os sem casa, desempregados, desamparados e pés descalços que desafiou a aristocracia dos usineiros alagoanos, seguindo um cavaleiro sonhador martirizado pelo peso de um sobrenome, em busca, não de um reino, mas da possibilidade de ocupar espaços aos quais a elite dominante jamais lhes permitiria.
Inegavelmente, matematicamente, a cidade está dividida ou pelo menos estão divididos aqueles que de uma forma ou de outra manifestaram-se na peleja eleitoral. E essa história, essa odisséia nordestina que tem personagens humanos, demoníacos e hermafroditas políticos e espirituais, precisava ser analisada com responsabilidade e contada, sim, mas através de uma ótica imparcial que não cabe em uma cidade, repito, matematicamente dividida, emocionalmente perplexa.
O que não se pode e não se deve admitir é o que está acontecendo agora. Nesse momento, o que há de realmente concreto é essa espécie de saga, esse desejo alucinógeno, essa compulsão doentia que busca a destruição de uma imagem que o povo de Penedo sempre soube e continua sabendo honrar.
Onde está a violência sistematicamente divulgada na capital de Alagoas? Quem são as pessoas que estão vivendo com medo em Penedo? Em que beco escondeu-se esse pavor que não vemos circulando pelas ruas?
Penedo é uma cidade de gente honesta, decente, trabalhadora, ordeira e altiva, que não aceita os grilhões da escravidão de quem quer que seja o pretenso SENHOR, tenha ele o sobrenome que tiver.
Essa tentativa de repassar para a capital e o restante do estado uma situação de violência e de medo ou pavor entre a população é apenas uma tentativa desesperada de pessoas que têm um enorme peso na consciência.
Triste do governante que precisa da segurança da polícia, que precisa do uso da força, para assumir um mandato que deveria significar a coroação de um processo democrático e legal. Quem age assim só demonstra medo do povo e quem tem medo do povo é porque sabe que não é amado.
Um político penedense disse certa vez, embalado pela suave brisa da tarde na Praia do Peba, que o maior erro que essa cidade cometeu foi unir o poder político ao poder econômico.
Mas eu, beradeira do Velho Chico e habituada a ver, ouvir e testemunhar que tudo é realmente efêmero, pergunto: Que poder econômico? O que deixa trabalhadores desamparados sem seus direitos sociais e humanos?
Que poder político? O que desagrega lideranças e emudece uma cidade após o resultado de uma eleição?
As campanhas eleitorais passam. Os mandatos passam. Uma mentira repetida mil vezes pode até transformar-se em uma suposta verdade. Uma imagem, no caso a imagem da histórica cidade onde nasceram Francisco Inácio de Carvalho Moreira, Sabino Romariz, Luis Cravo, Hermílio de Freitas Melro, Fernandes de Barros, Cesário Procópio dos Mártyres e governada por Raimundo Marinho, Alcides Andrade, Hélio Lopes e tantos outros penedenses que honraram a história de Alagoas e do Brasil, pode ser manchada sem nenhum escrúpulo, apenas pela ganância do ter e do trocar, mas esse sentimento de busca por justiça e esse poder maior que emana da vontade do povo jamais serão esmagados por aqueles que transitoriamente detenham um mandato.
Como muito bem disse o ex-governador Moacir Andrade, Penedo é uma cidade que já teve Barão e teve Governador, mas, IMPERADOR, Penedo nunca terá!
19 comentários 18 de Dezembro de 2008 às 18:46 Martha Martyres