Arquivo de Dezembro de 2008

PENEDO, A VÍTIMA DA INSENSATEZ POLÍTICA

É lamentável, vergonhosa e de uma sordidez incomensurável a campanha que vem sendo realizada junto a determinados meios de comunicação do estado com o objetivo de denegrir a imagem da cidade de Penedo. Pior. Tem quem se preste a isso sem seguir um dos princípios éticos da comunicação: ouvir ambos os lados, conhecer a realidade dos fatos e só depois, se for o caso, ter um posicionamento opinativo ou simplesmente narrar os acontecimentos para que o público tire suas próprias conclusões.
De repente, após um tumultuado processo político-eleitoral que se desenrolou sob o signo da desconfiança e de supostas irregularidades ocorridas durante o processo eleitoral, Penedo, a histórica e deslumbrante cidade beijada pelo Rio da Unidade Nacional já não é mais a mesma.
Nas eleições deste ano partiu-se, quebrou-se, dividiu-se entre uma Penedo elitista que maquiavelicamente promove acordos espúrios entre alguns falsos moralistas, defensores de uma ética que se esconde nas sombras da noite, e uma outra, formada por gente que se assemelha aos seguidores do famoso e satirizado exército de Brancaleone, um exército formado por gente do povo, os sem casa, desempregados, desamparados e pés descalços que desafiou a aristocracia dos usineiros alagoanos, seguindo um cavaleiro sonhador martirizado pelo peso de um sobrenome, em busca, não de um reino, mas da possibilidade de ocupar espaços aos quais a elite dominante jamais lhes permitiria.
Inegavelmente, matematicamente, a cidade está dividida ou pelo menos estão divididos aqueles que de uma forma ou de outra manifestaram-se na peleja eleitoral. E essa história, essa odisséia nordestina que tem personagens humanos, demoníacos e hermafroditas políticos e espirituais, precisava ser analisada com responsabilidade e contada, sim, mas através de uma ótica imparcial que não cabe em uma cidade, repito, matematicamente dividida, emocionalmente perplexa.
O que não se pode e não se deve admitir é o que está acontecendo agora. Nesse momento, o que há de realmente concreto é essa espécie de saga, esse desejo alucinógeno, essa compulsão doentia que busca a destruição de uma imagem que o povo de Penedo sempre soube e continua sabendo honrar.
Onde está a violência sistematicamente divulgada na capital de Alagoas? Quem são as pessoas que estão vivendo com medo em Penedo? Em que beco escondeu-se esse pavor que não vemos circulando pelas ruas?
Penedo é uma cidade de gente honesta, decente, trabalhadora, ordeira e altiva, que não aceita os grilhões da escravidão de quem quer que seja o pretenso SENHOR, tenha ele o sobrenome que tiver.
Essa tentativa de repassar para a capital e o restante do estado uma situação de violência e de medo ou pavor entre a população é apenas uma tentativa desesperada de pessoas que têm um enorme peso na consciência.
Triste do governante que precisa da segurança da polícia, que precisa do uso da força, para assumir um mandato que deveria significar a coroação de um processo democrático e legal. Quem age assim só demonstra medo do povo e quem tem medo do povo é porque sabe que não é amado.
Um político penedense disse certa vez, embalado pela suave brisa da tarde na Praia do Peba, que o maior erro que essa cidade cometeu foi unir o poder político ao poder econômico.
Mas eu, beradeira do Velho Chico e habituada a ver, ouvir e testemunhar que tudo é realmente efêmero, pergunto: Que poder econômico? O que deixa trabalhadores desamparados sem seus direitos sociais e humanos?
Que poder político? O que desagrega lideranças e emudece uma cidade após o resultado de uma eleição?
As campanhas eleitorais passam. Os mandatos passam. Uma mentira repetida mil vezes pode até transformar-se em uma suposta verdade. Uma imagem, no caso a imagem da histórica cidade onde nasceram Francisco Inácio de Carvalho Moreira, Sabino Romariz, Luis Cravo, Hermílio de Freitas Melro, Fernandes de Barros, Cesário Procópio dos Mártyres e governada por Raimundo Marinho, Alcides Andrade, Hélio Lopes e tantos outros penedenses que honraram a história de Alagoas e do Brasil, pode ser manchada sem nenhum escrúpulo, apenas pela ganância do ter e do trocar, mas esse sentimento de busca por justiça e esse poder maior que emana da vontade do povo jamais serão esmagados por aqueles que transitoriamente detenham um mandato.
Como muito bem disse o ex-governador Moacir Andrade, Penedo é uma cidade que já teve Barão e teve Governador, mas, IMPERADOR, Penedo nunca terá!

19 comentários 18 de Dezembro de 2008 às 18:46 Martha Martyres

SORRIR OU CHORAR?

É bobagem alguém ainda pensar que nada muda e nada se transforma.
Mas o que estou estranhando é a rapidez da transformação do meu amigo, José da Silva. O rapaz, quando nos encontramos casualmente em um dos restaurantes da cidade, começou trocando a sua habitual cervejinha gelada pelo uísquezinho com gelo e terminou transformando o nosso papo descontraído, inconseqüente, em um quase monólogo sério, responsável e conseqüente.
Para desenvolver sua tese ele me chamou a atenção, primeiro para a dificuldade de nos mantermos otimistas nesse país e, em seguida, afirmou: Ou se ignora propositadamente a duríssima realidade dos acontecimentos recentes ou seremos forçados a admitir que todos eles estão prenhes de uma comicidade trágica, capazes, inclusive, de gerar sentimentos conflitantes e neurotizantes em todos nós. – dito isto, calou-se um instante, observou meu olhar de perplexa curiosidade e esclareceu:
- Veja bem se não é engraçada a preocupação dos políticos conservadores e da classe empresarial quando alertam à Nação para a grave crise econômica mundial, em contraste com o otimismo do Presidente da República e de seu planejamento eleitoral, para 2010!
Não fiz nenhum comentário. Esbocei apenas um sorriso de concordância que o animou a continuar com a sua exposição.
_ Pois é, não posso deixar de achar paradoxalmente terrível que, enquanto isso ou apesar disso, o governo federal autorize a compra de instituições financeiras e empresas deficitárias, os empresários continuem burlando pactos sociais apoiados pela classe trabalhadora e os nossos parlamentares, os nossos congressistas continuem, impatrioticamente, aumentando seus subsídios, afora alguns outros milhões de reais gastos com as chamadas verbas indenizatórias que significam apenas mordomias, passagens de avião, apartamentos de luxo, etc…etc…. E agora , pasmem, a construção de um túnel unindo o Senado ao Palácio do Planalto. Parece coisa de pirata, não?”
Ainda tentei fazer ironia perguntando: e daí?, mas o José da Silva estava realmente empolgado e o resultado é que se tornou ainda mais veemente.
- Daí? Daí a existência do perigo de serem ultrapassados os limites da paciência das classes não favorecidas e que sofrem, sozinhas, apesar do Bolsa Família e do Bolsa Aluguel que está sendo gestado no Planalto, os sacrifícios destinados à manutenção dos privilégios escandalosamente absurdos.. Daí que o fausto de poucos e a miséria de muitos, definitivamente, não é uma situação de equilíbrio capaz de assegurar a tranquilidade deste país. Daí , urge as nossas lideranças se preocuparem menos com os defeitos dos opositores e mais com as ausências de escrúpulos dos poderes econômico e político. Dizem que a falta de juízo é um apanágio da juventude, mas o Brasil não é mais tão jovem e incapaz de assumir a condição de nação séria. É só querermos e, ligeirinho, teremos razões de sobra para esquecermos a extrema grosseria de Charles de Gaulle.
Entreguei-me à reflexão, logo após as despedidas de José, concluindo que ainda há gente desejando que nada mude e outros desejando antecipar as mudanças. Pensei longamente na eleição que aconteceu há pouco mais de dois meses e na eleição que virá daqui a dois anos.
Pensei no meu amigo, que trocou a cerveja pelo uísque, votou em político com uma larga folha de serviços prestados ao aperfeiçoamento da corrupção e que discute política e economia em nível nacional esquecendo-se que tudo começa e tudo termina no quintal de nossas casas.
Ele tem suas razões, mas, diante da demonstração de sua sofisticada análise política nacional, fiquei sem saber se devo encarar os fatos mencionados sorrindo ou chorando.

Adicionar comentário 9 de Dezembro de 2008 às 18:38 Martha Martyres


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