HISTÓRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM PENEDO-ALAGOAS
20 de Janeiro de 2009 às 07:40 Martha Martyres | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 7170
Martha Mártyres*
Fundada em 10 de outubro de 1535 pelo português Duarte Coelho Pereira, Penedo teve por jurisdição as terras de todo o Baixo São Francisco, inclusive as do lado de Sergipe,limitava-se com Coruripe, abrangendo toda a faixa litorânea até a foz, seguindo até a Cachoeira de Paulo Afonso, fazendo parte, inclusive, o povoado de Águas Belas que bem depois passou a pertencer ao Estado de Pernambuco.
Em 12 de abril de 1636, o povoamento foi elevado à condição de vila, recebendo o nome de Vila do Penedo do São Francisco.
Em 1637, o holandês Maurício de Nassau edificou na Vila do Penedo o famoso Forte Maurício para defesa de seus domínios, desencadeando uma gloriosa história de renhidas lutas para a população em seu passado valoroso e histórico.
Nessa época, os meios mais antigos de comunicação eram: o correio a pé ou a cavalo, a carroça, o carro de boi, e principalmente através do caudaloso Rio São Francisco, onde navegaram por longos anos, antigas naus portuguesas e holandesas.
No arquivo particular de S. M. o rei da Holanda, existe um itinerário da cidade do Recife até o forte Maurício em Penedo, datado de 1640. O percurso desse itinerário era feito a cavalo. Sem contar as paradas e os pernoites, gastava-se de cinco a seis dias de viagem.
A comunicação através da catequização dos franciscanos, muito contribuiu para a formação cultural do penedense, em épocas que o conhecimento resumia-se apenas aos conventos e bibliotecas, com exceção de raríssimas pessoas. No século XVII, Penedo foi centro de música sacra, através do Convento Franciscano da cidade que também foi o núcleo fundamental de maior importância na educação das letras da Província das Alagoas. Inclui-se nesse contexto, já no século XIX, a cultura islâmica da chamada Elite Negra, oriunda dos Malês, que deixou valores intelectuais e morais na galhardia do povo penedense.
Em termos de comunicação, o rio São Francisco foi a mola propulsora da maior importância para a estruturação política, econômica e cultural da cidade, que desde os tempos coloniais gozava de importante prestígio nesta região fértil, onde a partir da influência do penedense Francisco Inácio de Carvalho Moreira, Barão do Penedo, o Imperador D. Pedro II em 1866 decretou a abertura dos portos à navegação mercante do Continente Europeu até Penedo. Assim, a cidade tornou-se centro da monocultura da cana, possuindo sete engenhos de açúcar, grande quantidade de fábricas de beneficiar arroz, fábricas de óleo e sabão, criatórios de gado, curtumes, estaleiro para construção de embarcações e uma alfândega. Penedo tornou-se o maior meio de comunicação de toda a região, uma vez que centralizava todo o seu comércio, exportando para o Rio de Janeiro, Europa e América, couro, tecidos, peles, tamancos, artefatos de cerâmica, fumo, algodão, farinha de mandioca e tantos outros produtos agrícolas de todo o Baixo São Francisco.
A necessidade dos meios de veicular a informação, foi crescendo em consonância com o desenvolvimento sócio-econômico da cidade do Penedo, que através dos meios de comunicação conseguiu o seu quinhão no cenário histórico nacional.
A primeira agência de Telegrafo, data de 08/11/1874. A divulgação do conhecimento é marcada pelo surgimento da imprensa. Em 1869 surge o primeiro jornal “O Penedense” de propriedade do Sr. Júlio César Leal, porém, de pouca duração. Daí em diante, foram surgindo inúmeros jornais diários, semanais, periódicos, políticos, religiosos, humorísticos, espíritas, etc., tendo à frente valorosos e intrépidos jornalistas.
Em 5 de fevereiro de 1873 surgiu em Penedo o “Jornal de Penedo”, fundado e dirigido pelo historiador penedense Cônego Teotônio Ribeiro. Anos depois surgiu “O Lutador”, de longa existência, que teve a participação assídua do imortal poeta penedense Sabino Romariz. Em 1882 três jornais circulavam em Penedo: “O Progresso”, “A Luz” e o “Jornal de Penedo”, à época, jornais políticos discordantes em suas linhas editoriais. Uma curiosidade é que o Jornal de Penedo criou uma frase para ironizar as linhas editoriais divergentes: - “O Progresso pode regressar, a Luz se apaga, mas Penedo fica.” Além desses, Penedo teve outros jornais como “O Democrata” (1890), “Diário de Penedo” (1895), “Sul de Alagoas” (1899).
A história dos meios de comunicação em Penedo registra uma lamentável ocorrência quando o jornal “A Semana”, semanário político dirigido por Joaquim Mazzoni, publicava campanhas acaloradas e em uma delas defendeu o Marechal de Ferro. A campanha foi às ruas em frente ao Teatro 7 de Setembro, hoje Floriano Peixoto. Depois da Revolução de 30, o diretor do jornal mandou buscar novos maquinários. Em Penedo, ao invés de receber ferragens e tipos, nos caixotes estavas tijolos. O governo do Estado tomou providências, foi nomeada uma comissão de inquérito para proceder uma sindicância, mas depois o assunto caiu no esquecimento e A Semana não mais circulou.
Ainda outros jornais circularam em Penedo como o “Don Juan” fundado por Elysio de Carvalho em 1892, “O conservador”, “A Evolução”, “O Crepúsculo”, “A Tribuna Popular”, “A Voz do São Francisco”, “O Vadio”, “A Escova”, “O Vigilante”, “Correio do São Francisco” e “O Apóstolo”, de orientação católica, fundado em 1927 e ainda hoje em circulação graças aos esforços do Pe. Aldo de Melo Brandão.
Atualmente Penedo conta com o semanário “Tribuna Penedense”, mantido pela Fundação Educacional do Baixo São Francisco Raimundo Marinho e o “Correio do Povo”, com edições mensais.
A intelectualidade penedense marcou época no cenário cultural do país, desenvolvendo relações com escritores e poetas latino-americanos na pessoa do filho da terra, o polígrafo Elysio de Carvalho, que na Capital Federal (Rio de Janeiro), instituiu vários jornais, dentre eles, o ‘Monitor Mercantil’ que ainda existe. Fundou a importante revista ‘América Brasileira’, que contou com a participação da intelectualidade nacional, incluindo Mário de Andrade de quem foi companheiro na participação e divulgação da Semana de Arte Moderna. Na década de 20, funda a Editora S.A. Monitor Mercantil, com memoráveis publicações, incluindo diversos livros sobre temas brasileiros.
Eduardo Pinheiro Lobo, também filho de Penedo, é considerado o “Pai das Relações Públicas no Brasil”. A dada de seu nascimento, 2 de dezembro, comemora-se no país, o “Dia Nacional de Relações Públicas”. Em sua homenagem, o Conselho Nacional, instituiu a “Medalha de Mérito Eduardo Pinheiro Lobo” destinada a premiar as pessoas físicas ou jurídicas, nacional ou estrangeira, que tenham relevantes serviços prestados à classe dos profissionais de Relações Públicas.
O ‘Theatro Sete de Setembro’, o primeiro em Alagoas, acolheu companhias de arte cênicas nacionais e internacionais e grandes movimentos artísticos. A cidade também foi palco de memoráveis Festivais de Arte trazidos pelo Ministro Pascoal Carlos Magno e logo depois a honra de fundamentar os Primeiros Festivais do Cinema Nacional.
Até 1959, um dos meios de comunicação mais importantes em Penedo eram os Serviços de Auto-Falante. Alguns desses serviços destacavam-se no município, sendo o do Sr. Luiz Fausto, que ficava na região do comércio, mais precisamente na Travessa Carvalho Sobrinho, com cornetas (boca-difusora) instaladas nas Lojas Paulista, Loja Lisboa e Lojas Brasileira, um dos mais ouvidos e o serviço do Sr. Lydio Cruz, que alugava seu equipamento (amplificador e gerador) para as quermesses na cidade e nos povoados. A Voz do Morro era outro serviço de Auto-Falante instalado no Bairro do Oiteiro, antigo Quilombo, e a cidade contava, também, com o Serviço de Auto-Falante da Congregação Mariana, tendo como locutor o saudoso Antonio Brito
O penedense Dr. Hélio Nogueira Lopes, teve atuação fundamental nos meios de comunicação da cidade. Durante sua gestão como prefeito (1956-1961), Penedo foi a primeira cidade de Alagoas a receber energia elétrica diretamente de Paulo Afonso. Instalou a Cia. Telefônica de Penedo com 400 linhas, com serviço semi-automático, que foi absorvido posteriormente pela Telasa. Em 1958 ele fez a doação do prédio onde até os dias de hoje funciona a Emissora Rio São Francisco AM, a primeira emissora do interior alagoano. A Emissora Rio São Francisco foi inaugurada no dia 25 de abril de 1959 às 15 horas. A Emissora Rio São Francisco – prefixo ZYH 246, operando em Onda Média com 1.490 KHz, faixa de 200 metros, iniciou em 1961 a operação em Onda Tropical em 4.915 KHz. O saudoso Haroldo Lessa, um dos grandes nomes do rádio brasileiro, foi o primeiro locutor da Emissora Rio São Francisco com a célebre frase: - Penedo fala mais alto!
EMISSORA RIO SÃO FRANCISCO
Com o advento do rádio, a velocidade da informação chegava facilmente, criando um envolvimento entre o ouvinte e seu próprio imaginário, que passa a dividir uma comunicação auditiva através de efeitos e recursos sonoros, com a imagem dos personagens de novelas, jogos etc., com especial destaque para o desempenho dos locutores da época.
Em 1982 foi implantada em Penedo a primeira torre de transmissão de TV pela Organização Arnon de Melo, através da TV Gazeta de Alagoas.
A televisão particularmente estreitou uma relação de comunicação entre o telespectador e o apresentador. A informação além de ser falada, como na emissora de rádio, pode agora ser vista, lida e interpretada pelo telespectador, passando a interagir em suas expectativas com acontecimentos do seu dia-a-dia.
No final da década de 80, várias concessões de emissoras de Freqüência Modulada foram destinadas ao estado de Alagoas, especificamente para as cidades de Maceió, Arapiraca, Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios e Penedo.
Perseguindo o sonho de dotar a sua cidade natal de uma emissora FM moderna e voltada para o crescimento de Penedo, Dr. Hélio Lopes e seu filho, o engenheiro Ronaldo Pereira Lopes, deram início ao trabalho de implantação da Rádio Penedo FM.
Inaugurada em 17 de Fevereiro de 1990, a Rádio Penedo FM – 97,3, ZYC 230 (Classe A3), tem-se destacado em Alagoas e região do Baixo São Francisco, como uma referência no ramo da comunicação, atuando em todos os setores da sociedade sanfranciscana. Com uma missão que envolve prestação de serviço, informação, cidadania, responsabilidade sócio-ambiental e participação decisiva na preservação da memória, no engrandecimento da cultura e no progresso da cidade, a Rádio Penedo FM entra agora na era digital.
RÁDIO PENEDO FM
No ano de 2002, o penedense Moacir Lopes de Andrade iniciou a implantação da Grande Rio FM – 92,1 – ZYS 258 (Classe C). Encontra-se em fase de instalação a FM Farol Melodia – 106,3 – ZYC 259 (Classe C),de propriedade da Fundação Quilombo, leia-se João Caldas.
Penedo, até o momento, não conta com Rádios Comunitárias em funcionamento.
Finalmente surge uma tecnologia que reúne todas as possibilidades de comunicação e rapidez, que engloba a imprensa, o rádio e a televisão, operando a uma velocidade com que tudo ocorre: A Internet.
Mesmo com a hegemonia da televisão e da internet, o rádio ainda tem uma presença muito significativa na vida do penedense. Acompanhado de perto toda a evolução globalizada da atualidade, contribuindo com o que há de mais moderno, Penedo conta com vários sites na rede mundial de computadores como:
www.click82.com.br; www.canalpenedo.com.br; www.penedense.com.br; www.conexãopenedo.com.br; www.penedo.al.gov.br da Prefeitura Municipal; www.penedofm.com.br, entre outros.
PÁGINAS DA INTERNET
CONCLUSÃO
A histórica e tradicional cidade do Penedo, Patrimônio Histórico Nacional, foi também pioneira na implantação dos meios de comunicação no estado de Alagoas. De Penedo para o Brasil muitos talentos brotaram dessas pedras, a exemplo de Haroldo Lessa, Antonio Manoel, Stênio Reis, Luilton Rúsivel, Antonio Vieira, Andrade Filho e tantos outros.
Penedo, a cidade “Mui Nobre e Sempre Leal” continua escrevendo as páginas de uma história cujos capítulos são marcados pelo pioneirismo, pela coragem e pela determinação dos que amam esta cidade.
* Radialista, Coordenadora do Curso de Rádio e TV realizado em Penedo pelo Sindicato dos Radialistas do Estado de Alagoas - SINDIRÁDIO
BIBLIOGRAFIA
Penedo – Sua História – Amidanab Valente
Penedo – Ernani Mero
Agradecimentos:
Dr. Hélio Nogueira Lopes
Radialista José Luis Passos
Pesquisadora Cristina Maria Albuquerque Sanchez
Pesquisadora Eleonora Pereira Braga
Publicação arquivada em: Política
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11 Comentários Faça seu próprio
1. jose antonio bernado dos santos | 19 de Fevereiro de 2009 às 19:13
só mesmo párabenisa a toda e hetoria de penedo e deser que eu mesmo morando aki no rio eu mim orgulho muito de ter nascido ai en penedo eu espero um dia pode volta a mora …………….
2. Jornalista Roberto Paulino | 9 de Março de 2009 às 17:57
Parabéns pelo excelente trabalho. Abraços,
Paulino
3. Micheline Lima da Silva | 29 de Março de 2009 às 13:18
A cada dia que passa, a frase SÓ SEI QUE NADA SEI, fica mais forte. A História de nossa linda e delicada Penedo é única, mas, as pessoas, me deixam deslumbrada, a cada dia que passa…Parabéns e obrigada.
4. Rosa Correia | 21 de Abril de 2009 às 20:24
Seu blog é fantástico. No momento ando recolhendo informações para realizar uma pesquisa sobre a identidade e a cultura negra em penedo. Não sou daí, mas esta cidade me encantou de uma forma inimaginável, intrínseca. Gostaria de contar com sua ajuda. Sou professora de jornalismo e tenho alguns alunos interessados na comunicação alternativa e de oposição iniciada no século XIX pelo que pesquisamos aqui em Maceió no arquivo público.
5. Paulo Gomes Ribeiro | 14 de Maio de 2009 às 18:39
Sra. Martha,
A sra. diz que o prefeito na época, Dr. Hélio Lopes, doou um prédio para a emissora Rio São Francisco, entretanto, esqueceu de falar em Dom José Terceiro de Souza, bispo diocesano na época. Se não fosse o pioneirismo de Dom José Terceiro de Souza, Penedo não teria a sua primeira estação de rádio. Entre doar um prédio e instalar um estação de rádio em ondas médias e tropicais em uma cidade do interior de Alagoas,a diferença é muito grande. É mister que a senhora faça justiça a Dom José Terceiro de Souza, ele foi o pioneiro no cooperativismo em Alagoas, ajudou muito a Cooperativa Pindorama, assim como a cooperativa de Penedo, além de edificar as atuais instalações do Colégio Diocesano de Penedo.
6. Sgt Sabino | 25 de Julho de 2009 às 23:22
Boa matéria Martha.Como estudante da hitória fico feliz em saber mais da nossa terra…Parabéns
7. NEILTON N DA SILVA | 30 de Julho de 2009 às 20:15
marta estou esperando a resposta do meus parentes pois estou muito ansiosso telefone para contato:(67)32329712 OU 99756945 OBRIGADO
8. welington ou dede | 1 de Outubro de 2009 às 23:36
marta vc esta de parabéns por ser `a melhor jornalista de alagoas hoje penedo está crescendo graças à rádio e claro vc. adoro seu proama claro vc por ser essa pessoa especial muinto obrigado! dedé eu morava em povoado marituba da fábrica chau.
9. severo carvalho | 23 de Novembro de 2009 às 22:13
Boa noite,a história de Penedo é muito linda!!!!
10. José Capitulino | 26 de Dezembro de 2009 às 22:39
Marta, costumo dizer aos meus alunos aqui em Aracaju, que Penedo em sua história é uma mistura de Atenas e Esparta (culta e guerreira), parabéns pelo blog - muitas saudades de vcs. abração. J. Capitulin
11. Roberta | 13 de Janeiro de 2010 às 14:34
Olá! Meu pai nasceu em Penedo, porém minha avó veio para o Rio com ele ainda muito novo. Desta forma, ele não lembra do seu pai biológico e não existe nenhuma foto. Sei que ele trabalhava na Fábrica de Tecido Penedense e o nome dele era Jose Guilherme. Hoje meu pai está com 58 anos. Será que tem como vocês terem informação sobre o paradeiro dele.Seria um sonho poder proporcionar esse encontro para o meu pai.
Atenciosamente,
Roberta.
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