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Há algum tempo quero fazer considerações sobre algo muito peculiar nos dias de hoje: a necessidade que certas pessoas têm de achar que são únicas, vitais, fundamentais, insubstituíveis.
Penedo tem sofrido desse mal.
Ao refletir sobre o assunto, tenho lembrado daquela passagem do filme de treinamento profissional chamado Visão do Futuro, em que andando por uma praia, o narrador vê um jovem que repete o gesto de agachar, pegar um objeto e lança-lo ao oceano. Aproxima-se dele e pergunta:
- “O que você está fazendo?”
- “Devolvendo estrelas do mar ao oceano”, responde o jovem.
- “Mas, são milhares delas que o oceano traz para as praias. Que diferença faz devolver algumas delas?”, acrescentou o narrador.
- “Para essa aqui faz diferença”, disse o jovem lançando a que estava em sua mão.
Todas as pessoas podem fazer diferença, mesmo com pequenas colaborações e participações, e ajudar Penedo a melhorar e ser uma cidade desenvolvida, justa e civilizada.
A soma de milhares de pequenas contribuições pode resultar numa grande diferença.
Penedo não nasceu do nada. Nada nasceu do nada. Tudo tem começo, meio e fim.
Penedo é resultado do trabalho incansável e ininterrupto dos índios, dos colonizadores, do invasor holandês, dos que por aqui passaram, fenícios, franceses, espanhóis, do africano escravizado.
Penedo é resultado de milhares de mãos que juntas, em determinado momento ou realizando seus ofícios em diferentes épocas, construíram Penedo.
Ninguém é resultado da combinação do nada com o seu talento. As pessoas ocupem elas os cargos que ocuparem, são resultado do trabalho, do esforço, do talento e do empenho de muitas outras pessoas.
É por essa certeza que fico observando nas manifestações públicas de nossas lideranças e elites intelectuais as críticas, muitas críticas, que reforçam o negativismo doentio e as análises de situações e interpretações de fatos do nosso cotidiano. E fica-se apenas nelas, nas críticas, observações e interpretações, o que, por si só, e apesar de seu valor como produção intelectual ou política, não ajuda a melhorar as coisas.
Muito raramente se vê analistas de situações políticas e sociais proporem sugestões práticas ou ações de cidadania para mudar as realidades negativas.
O que existe é muita gente discursando e teorizando e pouca gente sugerindo soluções ou agindo para ajudar a melhorar a nossa cidade.
Penedo precisa de intelectuais e líderes que ajudem a desenvolver na população a consciência de cidadania, do dever de participação em favor de melhorias na sociedade e solução dos problemas da cidade para que todos fiquemos menos dependentes dos governos.
A grande tendência é transferir responsabilidades por erros ou existência de problemas para outros. E aqui em Penedo, especialmente, quem vem de fora ou que esteja fora há muito tempo, responsabilizar a todos pelo que “encontrou”, “pelo estado em que a cidade se encontra”, “por tudo o que se deixou de fazer”.
É bom parar!
Eu, particularmente, estou cansada, irritada e confesso, furiosa com quem chega a Penedo depois de um longo e tenebroso inverno em que preocupou-se apenas com o seu próprio agasalho e acha-se no direito de criticar aqueles que aqui ficaram e, o que é mais grave ainda, aqueles que não nasceram em Penedo.
Eu fico muito ofendida quando alguém faz referência a Penedo e diz que as mazelas de Penedo foram “criadas” por quem não é penedense. Chegam ao impropério de afirmar que Penedo tem que ter um penedense no comando do seu destino.
A minha pergunta imediata é: E por que você não ficou em Penedo para defender a cidade e construir o seu destino? Por que você, que estufa o peito e hoje chega criticando quem ficou ou quem voltou pelo que deixou de fazer?
É muito bom viver e construir a própria vida sem pensar em Penedo e até mesmo, às vezes, maldizendo a cidade e sua gente, e depois de velhos, cansados, exaustos e até mesmo fracassados, voltar a Penedo, criticar, desmerecer os que não são penedenses colocando isso como se fosse um crime e querer dar lições aos que ficaram defendendo a cidade, construindo a cidade, mantendo, aos trancos e barrancos, a imagem de uma cidade que por mais mazelas que tenha continua sendo a velha, boa e histórica Penedo, Patrimônio do Brasil.
Durante muito tempo me questionei sobre o porquê de não ter nascido em Penedo. Aqui nasceram meu avô Cesário Procópio dos Mártyres, no Sítio Araçá. Meu pai, José Vécio dos Mártyres, na Rua Joaquim Nabuco, número 349. Aqui nasceram meus filhos e minha neta. Por que não nasci em Penedo?
E encontrei a resposta. Não nasci em Penedo porque tive o privilégio de nascer a montante dessa cidade, num pequeno Povoado Saúde, em Sergipe, para então ser transportada na espuma das águas cálidas do Rio São Francisco e entregue a essa cidade nos braços do Bom Jesus dos Navegantes para ser uma voz a serviço dessa cidade e de seu povo.
Não sou penedense e muitos dos que construíram e continuam construindo Penedo não foram e não são penedenses e não se pode falar na história de Penedo omitindo nomes. Não se pode destruir histórias ou construir histórias a partir do nada.
Em sua época, a seu tempo, cada um, penedense ou não, cumpre seu papel na construção dessa cidade.
A única diferença que vejo é aquela que me mostra que uns ficam, lutam, sofrem e mantém a cidade para muitos que passam uma vida inteira longe de seus problemas, usufruindo do privilégio de ser penedense, e que às vezes aparecem para cobrar aquilo que não foi feito.
A esses: DANEM-SE!!!!
17 de Julho de 2007 às 18:04
Martha Martyres
Brasil, país do futuro!
Esta é uma expressão bastante comum. Ouvimos da maioria das pessoas quando querem se referir, principalmente, ao estágio de desenvolvimento da nação.
No entanto, esta expressão está longe de representar a realidade, já que é palpável a situação de miséria que atinge grande parte de nossa gente.
Nós dizemos: Brasil, país do futuro!, e o futuro do Brasil parece ainda mais comprometido quando voltamos nossa atenção para as gerações mais jovens.
Vejamos os dados do relatório anual da Infância e Adolescência divulgado pelo Unicef:
1.Cerca de 60 milhões de crianças e adolescentes vivem em famílias cuja renda não ultrapassa dois salários mínimos por mês. Destas, aproximadamente 30% estão em estado de miséria absoluta;
2. Existem 15 milhões de crianças subnutridas e outros 15 milhões estão fora da escola;
3. 16 milhões de trabalhadores menores recebem, em média, 20% do salário mínimo;
4. São registrados 250 mil óbitos por ano de crianças que não chegam a completar um ano de idade;
5. 125 mil crianças no Brasil não vivem sequer o primeiro mês de vida;
6. Em cada mil mulheres que dão à luz, 120 morrem por problemas decorrentes do parto;
7 30% da internações registradas são de crianças com menos de 2 anos;
8. A cada minuto morre uma criança no Brasil;
9. Temos cerca de 8 milhões de meninas entre 10 e 15 anos prostituídas;
10. Os programas sociais dos governos federal, estaduais e municipais não têm cumprido suas metas e nem diminuído as desigualdades;
Esses, são apenas alguns dados que expressam a dramática situação em qeu estão envolvidas as crianças e os adolescentes no Brasil.
A dolorosa realidade de meninas e meninos abandonados, de jovens delinqüentes ou viciados, da prostituição infanto-juvenil e outras perversões que cada vez mais comprometem o desenvolvimento do Brasil.
O espantoso numero de crianças e jovens analfabetos, sem assistência médica e alimentar, nada têm a ver com a idéia de um país do futuro e obriga a sociedade a uma mudança de mentalidade e visão do problema da criança e do adolescente.
Inicialmente tratados como caso de polícia para depois se transformarem em clientela de programas assistenciais, há hoje uma necessidade premente de romper com o preconceito de que criança e adolescente não sabem das coisas e não têm vontade própria. Acabou o “cale a boca, menino!”.
As políticas velhas, retrógadas e autoritárias não têm lugar nesse novo modelo de cidadania.
É claro que não é fácil romper com esse preconceito. Mudar a concepção em relação às crianças significa mudar em relação a nós mesmos.
Para alguns, que contam, inclusive, com a cumplicidade de uma parte considerável das autoridades constituídas, mais fácil é esperar que cheguem à maioridade para depois joga-los nas penitenciárias. Aguns chegam a dizer que “ pau que nasce torto, morre toro”, e nem imaginam que recebem hoje o que lhes foi dado ontem.
As crianças, os jovens “bandidos” que estão à solta por aí, que assaltam a mão armada e matam, que traficam, que roubam e torturam, são aqueles que ontem não tiveram acesso às políticas públicas que pudessem oferecer um caminho diferente do da criminalidade.
É óbvio que todos nós, em algum momento, refletimos sobre a situação das crianças e adolescentes, principalmente quando lemos o jornal, ouvimos programas de rádio ou assistimos ao noticiário da tv. Lamentamos, nos horrorizamos, nos insurgimos contra os dirigentes que não tomam providências, mas dobramos o jornal, desligamos o rádio ou a tv e vamos cuidar de nossas vidas. Apenas a reflexão e a indignação não bastam!
É preciso que haja uma mobilização maciça da sociedade no sentido de considerar crianças e adolescentes não apenas índices de estatísticas ou clientes de programas sociais. É preciso que a sociedade reconheça que crianças e adolescentes são cidadãos e que a eles sejam assegurados os direitos que todos nós queremos ter respeitados.
Os primerios passos para essa mudança de mentalidade em nosso país foi a partir da Constituição Federal que dedica um capítulo especial à questão e define que “é dever da família, da sociedade e do estado, assegurar à criança e ao adolescentes, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à prifissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de coloca-las a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”
A Constituição, regulamentada pela Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que completa 17 anos nesta sexta-feira, 13 de julho (!) estabelece que nenhum outro problema no Brasil atual é mais importane do que o atendimento às necessidades e potencialidades de sua geração mais jovem.
Infelizmente, algumas autoridades insistem em dizer que o Estatuto é utópico e a lei para primeiro mundo.
O primeiro mundo não convive com dados tão brutais como os que estão no relatório do Unicef. Nossa legislação reflete uma tendência mundial moderna, a de “ cuidar das crianças, dos jovens, dos idosos e do meio ambiente”, mas a realidade é outra.
Nos ricos corredores do Congresso Nacional, tem “lobby” representando a sociedade brasileira para a diminuição da maioridade penal. É uma pena que a sociedade não enxergue que são os “maiores delinquentes” da política os responsáveis pelo aumento da criminalidade, da miséria, da fome, do desemprego e da corrupção.
Brasil. País do Futuro!
E como dizem os jovens em tom de crítica e nojo: ECA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
11 de Julho de 2007 às 16:28
Martha Martyres
Como é ruim ter consciência em uma manhã assim!
Acordei cedo e nem a chuva fininha que caía me demoveu da idéia de ver a cidade acordando.
Percorri as ruas, olhei o Velho Chico tranqüilo, correndo lentamente em direção ao mar, vi pescadores em suas canoas, mulheres indo para a missa, um cachorro solitário sentado à porta do Convento observando a entrada, um arco-íris desenhado no céu e uma criança descalça, olhar faminto, vestindo “camisa de candidato”, que me estira a mão e pede “dez centavos”,
É muito triste ter consciência em uma manhã assim.
Tenho vontade de chorar. Paro na padaria e compro pão quentinho. Sigo para casa, ligo a cafeteira, mas o estômago está embrulhado. Perdi a fome.
Amanhã, por estas horas, estarei tomando o caminho do trabalho. Tenho notícias a dar! Notícias de crimes, fome desemprego, miséria, corrupção.
Aquela criança, amanhã, pode estar no centro das manchetes que vou anunciar, como mais uma vítima de todas essas mazelas reais.
Esbarro na sensação de que o mundo ainda não aprendeu nem aprenderá e me pergunto se vale à pena continuar, lutar, falar, escrever, participar, esbravejar por cidadania ou tentar compreender em profundidade a dimensão da revolução que coloca o homem no centro e na medida de todas as coisas terrenas.
Estamos morrendo, estamos matando. Estamos perdidos!
E o homem quer continuar matando. Principalmente aqueles que se dizem acima das divergências e fazem acordos e pactos consubstanciados naquilo que chamam de “um programa capaz de libertar o podo da opressão política e econômica”.
O homem quer continuar matando. Diretamente, através dos assassinatos diários, indiretamente aos miseráveis, aos famintos, aos sem-terra, aos sem-teto, aos sem-emprego, aos meninos e meninas prostituídos e drogados. Matará pela poluição, pelo envenenamento das águas, pelo stress, pela guerra. Vai matar pelos vazamentos das usinas atômicas, pela destruição dos rios, das florestas, pela tortura, pelo trabalho escravo, pela dependência e pela ignorância.
O homem vai continuar matando. O homem vai seguir matando pelo desencadeamento de forças que ele próprio não tem mais como controlar.
Os homens matam porque se eles não destruírem seus adversários não se sentem vitoriosos.
É muito triste ter consciência em uma manhã assim! Ser testemunha de um cenário como esse, de desigualdades sociais que relegam um número cada vez maior de crianças a sofrer em condições desumanas.
Aquela criança vestindo “camisa de candidato”, é apenas mais uma no meio de tantas que se engalfinham nas ruas, cheiram cola e esmalte na Orla, prostituem-se nos quiosques da beira do rio para ganhar dois reais, roubam pequenos objetos nos supermercados, nas bancas da feira livre!
Que aqueles que me ouvem no cotidiano do rádio ou acessam esse blog para ler o que escrevo, possam me perdoar e entender! Estou cansada!
Cansada de ter consciência, de esperar por uma mudança que não chega nunca. Cansada de “dar murro em ponta de faca”, de vender esperança e falar em cidadania para uma população que não tem acesso à saúde, como aquela mulher que entrou no meu estúdio com um filho morto nos braços porque não conseguiu atendimento médico ou como aquelas que vêm, todos os dias, em busca de uma cesta básica para matar a fome de sua família ou pedir um plástico para cobrir o barraco que os abriga da chuva!
Olho ao redor e vejo apenas a crescente e incontrolável degradação humana.
Antes, eu tinha absoluta convicção de que conhecia todos os caminhos e todas as respostas. Assim, atirava-me no centro dos acontecimentos superestimando minha capacidade de viabilizar soluções. Ao fazer uma campanha de agasalho, um Natal Sem Fome; ao orientar uma mulher violentada para lutar pelos seus direitos e pela sua dignidade de pessoa humana, sentia-me fortalecida, até mesmo orgulhosa de minhas ações e experimentava uma gostosa sensação de paz. Hoje, sinto um grande desânimo e não há metáfora de andorinha que me motive.
Em sua música que atravessa as fronteiras do tempo, Cazuza disse que seus heróis morreram de overdose, numa referência a tantos grandes ídolos que se deixaram vencer pelas drogas psicotrópicas como a maconha, o LSD, a cocaína e tantas outras.
Penso que os meus heróis (gestores de muitos projetos nos quais acreditei, até porque sigo projetos e não homens!), também estão morrendo de overdose, um a um: a overdose da droga do poder.
Nesse mundo de tantos e inconfessáveis interesses, tenho sentido não apenas fadiga, mas uma vergonha íntima, profunda, incomensurável.
“Uma vez desencadeada, a soberania da conveniência política não tem limites”, segundo Rui Barbosa.
Perderam-se os limites, perdeu-se a razão.
Estamos todos perdidos!
18 de Maio de 2007 às 16:32
Martha Martyres
PENEDO. Fui construída no clima mágico desta cidade. Penedo do Sítio Araçá, onde vivi minha infância e os melhores momentos de minha vida. Penedo do meu Rio São Francisco, Penedo do navio Comendador Peixoto, com seu apito que me fazia tremer de medo, mas que exercia sobre mim um enorme fascínio, fazendo-me sonhar com as viagens rio acima. O esplendor de suas luzes, a roupa engomada de seus tripulantes cheias de botões dourados, o tubo preto de sua chaminé, parecem acenar e seduzir.
Penedo das fábricas de beneficiamento de arroz enfileiradas em frente ao cais, das montanhas de cascas de arroz onde eu brincava de pula-pula observando o movimento frenético das canoas que traziam progresso para o comércio de nossa cidade.
Penedo do Mercado Municipal de onde fui levada por uma cigana aos três anos de idade. Das bancas e lojas, do “Seu” Aprício, do Caxiado, do Mangabeira, do “Seu” Luiz…Penedo da feira, do burburinho, das bancas de Otacílio Xavier, o Oxis, de Dona Virgínia, Dona Maria, “Seu” Eugênio…dos barracões do Mané Rosendo, onde comprávamos os recentes lançamentos de tamancos!, dos banhos nas calhas do Teatro Sete de Setembro em dias de chuva!
Penedo das lendas, do túnel do convento, da procura de dobrões de ouro pela suposta trilha de fuga dos holandeses, das expedições à rocheira, aos velhos casarões abandonados. Penedo da Banca do Peixe com pedras avermelhadas cheias de pintinhas brancas, do cheiro de peixe, do cheiro de gente! Penedo do bolachão da Padaria Primor, quentinho, saboreado com manteiga do sertão comprada na esquina do Pavilhão, na venda do “Seu” Cândido.
Penedo da Floriano Peixoto, da missa aos domingos na Igreja de São Gonçalo, das árvores enfileiradas como se fossem guardiões de nossa cultura, podada por causa dos lacerdinhas, como foram podados tantos dos nossos sonhos de progresso e desenvolvimento.
Penedo. Travessa Professor Henrique Tomaz, numero 2. Durante muitos anos, até a morte de minha mãe, esse foi o nosso endereço. Hoje, ao passar pelo “bequinho”, tenho a estranha sensação de perda. Não consigo me situar no espaço que tantas vezes percorri, ora com um livro nas mãos, pois tinha o hábito de estudar andando e em voz alta, ora brincando de “bicho”, de boneca, correndo com Tintureiro, meu primeiro cão, ou enfrentando os “mijões” que utilizavam o nosso bequinho sem o menor pudor para satisfazer suas necessidades fisiológicas durante os festejos de Natal, Ano-Novo e carnavais que eram realizados na avenida Floriano Peixoto.
Penedo da roda gigante do Pessoa, montada em frente ao Teatro Sete de Setembro, do brilho de suas luzes, da ornamentação feita pelo Seu Zé Vécio por encomenda da Prefeitura Municipal. Eram árvores de natal enfeitadas de luzes e cores, papais-noéis gordinhos, bochechudos e rosados que sorriam carregando enormes sacos vermelhos cheios de presentes… e sonhos.
Penedo das barracas de sequilhos, amendoim torrado ou açucarado, embalados em coloridos barquinhos de papel, algodão doce, rolete de cana. Penedo dos carnavais com a banda de múscia tocando no palanque montado em frente às Lojas Paulista, das aparições do Zé Mulé, com suas roupas maravilhosas, brilhantes, cheias de plumas e paetés, do Zé Pereira, do carnavalesco Zé Pintinha e sua colossal alegria, do Bloco dos Caretas, com máscaras feitas com as sacolas de pão de minha mãe, bordadas em pontos de cruz.
Deixei de sair no bloco dos Caretas depois de um fato interessante. Eu, Sinhá Valda, Neno, Solange, Valter, Alberto Espinheira, Betânia Brasil, Elvira e Margarida fizemos um bloco para brincar o carnaval e armados com cabos de vassoura e vestidos com caretas feitas com os sacos de pão e roupas de saco de farinha de trigo conseguidas na Padaria Primor, saimos percorrendo as ruas da cidade. Nas imediações da Catedral, o grupo daquele “território” ( leia-se Valdi Fernando e sua turma) jogou sobre nós o conteúdo de penicos. Foi um desastre. Durante dias, tomei banhos e mais banhos, mas parecia que o cheiro continuava entranhado na minha pele, nos meus cabelos, no meu nariz. A partir daí, substituimos o bloco dos caretas pela guerra dos mijões e das espadas durante os festejos juninos. Reuníamos uma turma formada pelos meninos e meninas que moravam na região da feira livre, Santa Cruz, rua das Cajazeiras e Ulisses Batinga, contra os que moravam na parte de cima, ou seja, na rua Sete de Setembro, Praça da Catedral, rua Dâmaso do Monte, rua Fernandes de Barros, e da Quitanda, e a guerra estava formada. Só não permitíamos a participação dos meninos da zona. Éramos, como ainda hoje somos, preconceituosos. Na nossa guerra, tínhamos uma vantagem: as barracas de venda de fogos ficavam na hoje conhecida Feira da Laranja, bem próximo à Banca do Peixe e dos Barracos do Mané Rosendo. Quando a guerra começava, a turma da rua de cima ficava impossibilitada de comprar fogos porque nós interditávamos todas as descidas com barreiras no Beco da Goiaba, na Pedra da Arara e nas ruas da feira. Era como se estivéssemos num campo de batalha. Como eram grandes os nossos horizontes!!
Penedo. Da Casa São Francisco, minha primeira escolinha, com Dona Crizantina, de onde voltei para casa aos prantos depois de descobrir que “tinha menino homem” estudando também! Do colégio Imaculada Conceição, da Irmã Genoveva, minha professora do Jardim Infantil. Do meu Gabino Besouro, do Colégio Estadual, das boas lembranças de momentos e colegas, dos professores a quem devo o que sou porque eles embasaram a minha formação e nortearam toda a minha vida, minhas emoções, minha cidadania.
Penedo dos seus personagens. Penedo do Caxixi e do Pilinha, da Dai, da Maria Esmulambada, da Carmelita e tantos outros…
Penedo da ladeira do convento, onde tantas vezes subi correndo e desci de carrinho de rolimã e patinete. Dos buracos feitos no muro formando uma escada para ter acesso ao pátio e roubar amoras, mesmo com os gritos e ameaças de Dona Alci e Dona Eutália e o medo do flagrante dos frades. Nós também tínhamos um medo danado de aparecer o famoso “frade sem cabeça”, do qual ouvíamos falar em mais uma das tantas lendas de Penedo!
Penedo, onde vivi minha adolescência observando as sutilezas de um país que vivia uma ditadura e vivenciando um conflito constante entre o pensar sobre o que estava errado e aceitar a realidade que se impunha pela condição sócio-econômica-política do cotidiano, e que estavam muito além dos comícios da Floriano Peixoto ou das produções veiculadas no serviço de auto-falente de Luis Fausto ou da Emissora Rio São Francisco. Aliás, foi na Emissora Rio São Francisco, aos cinco anos de idade, levada pelo penedense Zé Abílio, que me apresentei pela primeira vez no rádio: “Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão…” Caras lembranças!
Aqui aprendi que existem dois mundos: aquele que idealizamos e pensamos que pode ser e aquele que se desenha todos os dias de nossas vidas.
Nessa terra do Penedo estão secas as minhas lágrimas, absorvidas por um chão de pedra que me ensinou a ser forte. Nas paredes seculares de seus casarões, ainda ecoam meus gritos de liberdade e insurreição que alimentam meu espírito e me impedem de abandonar a luta. Em seu horizonte, ainda estão os meus sonhos, enfeitados pelas cores do pôr-do-sol, regados pelas águas do Velho Chico.
Nessa terra de meu avô e meu pai nasceram meus filhos e no túmulo do Cemitério de São Gonçalo do Amarante, erguido na área onde deu-se a mais sangrenta batalha dos penedenses na luta contra os holandeses, quero ser enterrada.
Nesse aniversário de Penedo gostaria de ter o poder de expressar em palavras todo o meu sentimento em relação a essa cidade que é ao mesmo tempo fascinante e cruel, mas só consigo mesmo entabular uma conversa íntima e pessoal que nasce na madrugada, assim como eu, diante de um rio que vai aos poucos cobrindo-a com uma neblina que tem ares de boemia.
O brilho do luar de Penedo refletido nas águas do Rio São Francisco me guiou de volta e colocou-me em um caminho que, não sei se feliz ou infelizmente, não tem retorno.
Feliz Aniversário Penedo. Minha terra, meu amor!!!!
11 de Abril de 2007 às 16:07
Martha Martyres
Há 17 anos estamos no ar!
Há 17 anos prestamos serviço à comunidade penedense e sanfranciscana.
Em todos os momentos estivemos presentes na vida, no dia-a-dia de nosso povo, de nossa cidade, de nossa região.
Juntos, enfrentamos o fogo e a água. Ajudamos a apagar incêndios e auxiliamos pessoas ilhadas pelas águas das chuvas e das cheias do Rio São Francisco.
Juntos, buscamos a luz quando havia escuridão; a estrada, quando havia incerteza; os caminhos, quando havia indecisão.
Durante esses 17 anos que acabamos de comemorar, lutamos juntos por cidadania, questionando a inoperância e a ineficiência, denunciamos a deslealdade e o oportunismo.
Juntos, nós e o povo, nossos ouvintes, lutamos por dias melhores alicerçados pela fé e a esperança que movem o ser humano.
Quantas lágrimas de dor transformamos em sorrisos! Quanta emoção ainda ecoa nas paredes acústicas desses estúdios!
Aqui, acudimos mães desesperadas, homens indignados, mulheres vilipendiadas e crianças vitimadas pelo descaso, pela violência e insensatez do ser humano!
Quantas mães reencontraram seus filhos e filhos reencontraram suas mães através das ondas do rádio? Quantas famílias foram reunidas, perdoadas, redimidas? Quantos homens e mulheres conseguiram emprego e a possibilidade de sustentar dignamente suas famílias através de nossa prestação de serviço?
Foram tantos eventos! Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal Sem Fome, Dia do Estudante, Dia do Motorista, Papai Noel das crianças carentes, ajuda aos idosos, leite para as crianças desnutridas, agasalhos para os que têm frio, alimento para os que têm fome!
Através de um trabalho reconhecido pela sociedade, ajuntamos parceiros para dar o melhor de si e de nós na luta por uma cidade mais justa e mais humana.
Através dos microfones desta emissora, levantamos paredes, sustentamos telhados, enveredamos pelos caminhos tortuosos da defesa inarredável da cidadania como defensores que somos, diariamente, daqueles que nos procuram, acreditam e confiam no nosso trabalho!
Quantos objetos devolvemos? Não contamos, não importa!
Sabemos apenas que prestamos serviço à sociedade honrando o compromisso e a missão que nos cabe como meio de comunicação.
É por tudo isso que hoje lamentamos a decisão de interromper uma relevante prestação de serviço ao nosso povo: a recepção e entrega de documentos e objetos perdios e/ou encontrados.
Por mais de 17 anos prestamos serviço devolvendo documentos e cidadania, pois é isso que o documento representa. Hoje, somos obrigados a interromper esse serviço.
Nunca, nem mesmo nos piores momentos em que tivemos de lutar contra a tirania e o cerceamento da liberdade de expressão e de direitos, fomos intimados como testemunhas de crimes que não presenciamos e mais ainda, não praticamos.
A intimação e a intimidação de funcionários dessa emissora é uma prática que não podemos aceitar.
Receber um documento encontrado por algum transeunte penedense passa a ser considerado no atual momento de nossa cidade, um ranstorno e um perigo ao qual não podemos expor os nossos funcionários.
Se a Polícia Civil, que em Penedo tem sido alvo de inúmeras reclamações por sua ineficiência, entende que receber um documento perdido/encontrado implica em prestar testemunho de um crime que supostamente tenha sido cometido, não podemos submeter nossos colegas a tal constrangimento.
Durante esses 17 anos de empresa e mais de 20 anos de rádio, espontaneamente testemunhei várias vezes em busca de justiça. Perdi a conta de quantas vezes encaminhei às autoridades policiais, ao Ministério Público e ao próprio Poder Judiciário elementos que permitiram que a tão propagada justiça fosse praticada.
Agora, as circunstâncias exigem que nos coloquemos na defensiva.
É claro que não deixaremos, jamais!, de prestar serviço à população e buscar a justiça. Não arredamos pé dos nossos ideais e nem de servir ao nosso povo, mas não vamos servir de munição para um comportamento autoritário, prepotente, trôpego e obsoleto, resquício de uma época que envergonha o nosso estado e mira na cidadania de nossa gente!
É claro que os incompreensíveis acontecimentos deixam dúvidas sobre as verdadeiras intenções. O que será que está motivando esse tipo de comportamento? A quem servem? O que esperam conseguir?
A essas perguntas, devemos acrescentar outras: por que a população tem reclamado tanto do atendimento na Delegacia de Penedo? Por que em determinados horários a delegacia está fechada a chave? Por que há mais de trinta dias não se apura casos graves e de conhecimento da sociedade como, por exemplo, estupro envolvendo menores, segundo denúncia do Conselho Tutelar? Por que a relação de bens (jóias e objetos) recuperados pela Polícia Militar e entregues da Delegacia de Penedo mediante recibo não corresponde aos bens recebidos pela vítima?
Enquanto uma funcionária desta emissora é intimada como testemunha de um suposto crime por ter recebido um documento na recepção e cumprido o seu papel de divulgar e entrega-lo ao dono, os verdaeiros bandidos, aqueles que matam, assaltam, estupram e aterrorizam a população estão à solta nas ruas da cidade. Por quê?
14 de Março de 2007 às 17:48
Martha Martyres
O engenheiro penedense e ex-deputado Ronaldo Lopes (sem partido), toma posse na direção geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Alagoas - DER nesta sexta-feira (23), às 11 horas, na sede do órgão, no Tabuleiro dos Martins, em Maceió.
Ronaldo Lopes tem larga experiência no setor público. Foi presidente da Cohab-AL no governo Divaldo Suruagy, superintendente regional da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba - CODEVASF e secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Naturais no governo Ronaldo Lessa.
Um relatório divulgado pela consultoria do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido Brasileiro (PRO-ÁGUA/SEMI-ÁRIDO) do Banco Mundial, que analisou a situação da gestão dos recursos hídricos em Alagoas, assinado pelo consultor Luiz Corrêa Noronha, no final do governo Ronaldo Lessa diz, textualmente, que “Hoje, de acordo com estudos elaborados pela ANA, os quais permitem comparar a situação da Gestão em todos os estados brasileiros, constata-se, de acordo com as conclusões destes consultores, que o Estado de Alagoas tem uma das melhores situações de Gestão de Recursos Hídricos no território nacional, estando entre os 10 (dez) Estados de melhor Gestão do país.”
Fontes ligadas ao Palácio República dos Palmares garantem que os critérios para a escolha de Lopes para o DER foram técnicos e éticos. Aliás, ética, competência e honestidade foram os critérios defendidos pelo governador Teotônio Vilela, quando em campanha, para a escolha de seus auxiliares.
22 de Fevereiro de 2007 às 14:35
Martha Martyres
Um novo ano está chegando e nós temos três grandes armas para enfrentá-lo: a fé, a esperança e o amor.
Vamos permitir que a fé nos inspire, que a esperança nos ajude a crer em novas oportunidades e que o amor nos oriente como princípio básico para guiar todos os nossos passos nesse Clube do Sucesso.
Quando esse novo ano chegar a essa estação, desejamos que se não puder ser o locutor, seja o mais divertido ouvinte.
Procure sintoniza-lo e equalizar o Som da Terra com o prazer de quem procura uma estrela brilhante no céu.
Não se assuste com a RF ( rádio-frequência), às vezes comum e que nos impede de ouvir com nitidez absoluta as mais bonitas mensagens.
Procure detectar os sons da vida com todos os seus sentidos e quando a esperança lhe acenar, não hesite, há uma grande festa na Sala Brasil, com as Melhores do Dia.
Quando a Boca da Noite chegar, divulgue todos os seus sonhos, porque nós desejamos que em cada quilowatt você encontre tudo o que busca e com a luminosidade do dial você possa identificar todos os caminhos a trilhar.
Que esse novo ano renove todas as suas expectativas e que você possa fazer um flash back de sua vida sem esquecer que à frente está uma nova Geração Sucesso.
Que a Vida Real seja uma sucessão de vitórias e que o Lance Livre de sua vida possa transformar-se em uma grande reportagem.
Que o amor, a paz, a luz, a compreensão, a harmonia, a tranquilidade e o bem-estar possam estar sempre cumprimentando: Alô Cidade! E que o Show do Esporte faça o repley de todos os gols vitoriosos que você marcar.
Desejamos, em 2007, amor, paz, prosperidade, conquistas, vitórias e um Love Songs p´ra você
2 de Janeiro de 2007 às 07:47
Martha Martyres
No último 24 de Novembro, Dr. Hélio Lopes recebeu a comenda da Ordem do Mérito do Barão do Penedo, uma honraria concedida pela municipalidade a homens e mulheres que se destacaram em sua dedicação à histórica e tricentenária cidade.
Participei da cerimônia representando meu avô, Cesário Procópio dos Mártyres, que, em memória, também foi homenageado pelo atual prefeito Marcius Beltrão. Sobre meu avô, que morreu antes de eu nascer, as palavras de maior propriedade saíram da pena de Ernani Méro, um de seus grandes amigos e companheiro na Ordem Terceira de São Francisco.
Reporto-me a esse fato porque considero uma atitude de grandeza homenagear pessoas, principalmente aquelas que, merecidamente, são reconhecidas pelo seu trabalho, talento e desprendimento e que ainda podem desfrutar de momentos ímpares em suas vidas.
A cidade de Penedo tem uma grande dívida com seus filhos ilustres. Muitos, jazem esquecidos, outros, são propositadamente ignorados. Nesse mundo, em que satisfazer vaidades pessoais e inadiáveis tem sido fundamental para um sem número de pessoas, a valorização do ser humano tem que ser destacada.
Dr. Hélio Nogueira Lopes é um penedense que merece essa e outras honrarias pelo muito que fez nos vários cargos que ocupou durante sua vida pública.
Penedense, Dr. Hélio Lopes nasceu, no dia 10 de Novembro de 1922, filho de Edmundo Lopes e Elisa Nogueira Lopes. Estudou na Escola Particular de Maria Galindo Campos ( Dona Mocinha) e fez o primeiro grau menor no Grupo Escolar Gabino Besouro. O primeiro grau maior foi feito em Aracajú, no tradicional Colégio Tobias Barreto.
O curso suplementar, que existia, à época, foi feito em Recife, onde cursou Medicina até o terceiro ano. Formou-se médico no Rio de Janeiro e fez especialização com o famoso pediatra Rinaldo de Lamare.
Manteve durante décadas, em Penedo, seu consultório de medico pediatra. Casou-se com Maria Pereira Lopes em setembro de 1953 e elegeu-se prefeito pela coligação formada pelo PTN – Partido Trabalhista Nacional e UDN–União Democrática Nacional, tomando posse no dia 31 de Janeiro de 1956, aos 34 anos.
Em seu mandato, Penedo foi a primeira cidade do interior do estado a receber energia elétrica de Paulo Afonso, com substituição de toda a rede de postes de madeira por cimento. A energia de Paulo Afonso foi inaugurada em 15 de novembro de 1958. Instalou a Cia. Telefônica com 400 linhas, com o serviço semi-automático, que posteriormente foi absorvido pela Telasa.
Dr. Hélio Lopes fez toda a reposição da área aberta para colocação do serviços de água pelo antigo SESP, através de calçamento de paralelepípedos. À época, foi feito todo o trabalho de aterro, drenagem e urbanização da Baixa da Lama, hoje Largo de Fátima. Também urbanizou, com calçamento, amurada e iluminação, toda a orla fluvial de Penedo, com a criação da Avenida Beira Rio.
Eletrificou o Oiteiro e o Barro Duro, hoje Bairros Senhor do Bonfim e Santa Luzia, respectivamente.
Realizou as festividades em comemoração ao centenário da visita do Imperador à cidade e construiu o Posto de Saúde da Cooperativa de 1º Núcleo.
Foi como prefeito de Penedo que Dr. Hélio Lopes abriu a rua que se inicia na Rua São José até a Escola Normal Rural, hoje Colégio Estadual Comendador José da Silva Peixoto, com uma pista de rolamento, incluindo as obras complementares de águas pluviais.
Também foi realizada a construção de esgotos da Rua 7 de Setembro até a praça 12 de Abril, Travessa Batista Acioly e Travessa Gomes de Assunção,. Em sua administração foi criado o SAAE – Serviço Autônomo de Água e Esgoto, regulamentado por Lei Municipal.
Hélio Lopes foi, em sua época, um prefeito empreendedor. Colocou a iluminação de mercúrio na Floriano Peixoto e estabeleceu as primeiras parcerias com a sociedade civil. Os moradores de diversas artérias ofereceram-se para ajudar à municipalidade.
Construiu o Grupo Escolar Freitas Melro que foi entregue ao Estado, fez melhoramentos e alargou a Rua Fernando Peixoto.
Durante o mandato de Hélio Lopes como prefeito de Penedo, os servidores públicos foram respeitados, recebendo reajustes anuais de salário, abono de Natal e também receberam lotes para construção de casa própria na Praça dos Artistas, benefícios esses amparados por Lei Municipal.
Como prefeito de Penedo, Dr. Hélio Lopes teve atuação fundamental para a instalação da Emissora Rio São Francisco. A primeira emissora do interior alagoano poderia ter sido instalada em outro município, não fosse a atuação decisiva de Dr. Hélio Lopes, que, como prefeito, doou o prédio da Praça Jácome Calheiros para garantir a implantação da AM São Francisco.
Bem assim foi sua luta para instalar em Penedo a primeira emissora de Freqüência Modulada, a Rádio Penedo FM.
Quando em meados da década de 80 foram destinadas concessões de rádio para Alagoas e dentre elas uma para a cidade de Penedo, os especialistas do ramo da comunicação no estado diziam que era loucura trazer para o interior uma emissora que poderia estar na capital. Hélio Lopes insistiu e construiu essa que é a maior referência em comunicação na região sul do Estado. Na placa de inauguração da Penedo FM ele escreveu: “ O destino promissor desta cidade, transformou o sonho dos penedenses na realidade deste empreendimento.”
Deputado estadual por três legislaturas, Dr. Hélio Lopes deixou sua marca nos anais da Casa Tavares Bastos e escreveu seu nome na galeria dos políticos que souberam honrar o mandato. É considerado uma referência moral na política alagoana.
Ocupou cargos importantes. Foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Penedo, superintendente da Suaval, Secretário de Saúde do Estado de Alagoas e Presidente do Lifal – Laboratório Industrial Farmacêutico de Alagoas.
Mesmo assim, o trabalho mais importante de Hélio Lopes foi o de salvar vidas. É comum em nossas andanças ouvirmos considerações de pessoas simples, do povo, em relação aos cuidados médicos que recebeu do pediatra. São homens e mulheres, pais, já avós, que mostram orgulhosos os seus filhos e dizem: - “Devo a vida dele a Dr. Hélio!”
Hoje, aos 84 anos, quando sua maior alegria é falar sobre sua querida Penedo e curtir os bons momentos desfrutados ao lado dos filhos Cláudia, Ronaldo e Ricardo, dos netos e de sua amada Maria, Dr. Hélio Lopes recebeu uma honraria que lhe era devida.
Que Penedo honre os seus filhos. E que o Brasil os conheça!

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28 de Dezembro de 2006 às 10:31
Martha Martyres
Tem gente em Penedo que pensa que eleição é feira. Diz que política afasta da família, traz prejuízo para os negócios, é chato p’ ra chuchu!
Mas, duante as campanhas eleitorais toma decisões que impedem as pessoas de participarem decisivamente do processo político eleitoral, compra voto a preço de banana, coloca um abacaxi na mão do povo e fica torcendo para que não sobre nem p’ ra xepa. Assim vai pode começar tudo outra vez!
Mande esse tipo de “político” p’ ro diabo que o carregue! É batata!
3 de Dezembro de 2006 às 09:38
Martha Martyres
Os movimentos negros, organizações diversas, a sociedade e o estado brasileiro desenvolvem inúmeras ações no dia 20 de novembro Dia da Consciência Negra, como forma de resgatar a memória de Zumbi, símbolo maior de luta da notável raça pela liberdade.
Zumbi é um dos heróis desse país tão carente de referências e exemplos, que foi, finalmente!, reconhecido e reverenciado pela sua luta em prol da vida e da liberdade, bens supremos do ser humano.
A histórica cidade de Penedo tem uma página marcante na história de Alagoas que é parte da história do Brasil.
Moreno Brandão, em sua MONOGRAFIA DO MUNICÍPIO DE PENEDO, publicada em 1936, faz referência a esse movimento dos QUILOMBOS.
Com a invasão holandesa em Penedo, muitos negros fugiram e iam formando Quilombos em sua rota de fuga.
O Oiteiro, hoje chamado de Bairro Senhor do Bonfim por obra da Câmara Municipal, onde havia o conhecido Engenho do Saco do Damaso, foi um reduto de negros. Convém, ainda hoje, observar que a população negra do Oiteiro é de maior incidência em relação à raça branca. Recentemente, um estudo elaborado pela Petrobrás, em virtude da construção do Gasoduto Carmópolis-Pilar, reconhece o bairro como “Comunidade Quilombola” e destina recursos para ações nas áreas de saúde, educação e lazer, como forma de compensação em cumprimento ao que determina o EIA-RIMA ( Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental).
Os negros da região sanfranciscana, em especial os negros fugidos do Penedo, fortaleceram a população rebelde na Serra da Barriga, onde existiu o mais famoso quilombo do Brasil: o Quilombo dos Palmares.
Penedo, que começou no Barro Vermelho, hoje Bairro Santo Antonio, tem ainda a fantástica história dos Malês, os negros mulçumanos que liam e interpretavam o Alcorão. Embora escravos, os Malês consideravam-se superiores aos seus senhores porque sabiam ler e escrever e não se misturavam aos brancos. Um pesquisa extraordinária sobre os Malês vem sendo realizada pela escritora e pesquisadora Cristina Sanchez, mesmo sem o apoio governamental.
Dessas constatações, concluímos que a cidade do Penedo precisa investir em pesquisa histórica. Somente assim, trazendo à tona pela luz da ciência os fatos mais marcantes de sua participação na história do Brasil, poderemos preparar Penedo para o desenvolvimento do turismo cultural, uma das mais promissoras vertentes do progresso da cidade.
Além disso, cabe lembrar que a importância de Penedo nesses episódios, não se resume apenas aos feitos heróicos, à diversidade das raças e civilizações, mas ao valor cívico e à filosofia daqueles que lutaram e proclamaram primeiramente a LIBERDADE.
Os Quilombos não foram apenas redutos de resistência. Havia um projeto de cidadania, uma sociedade organizada com famílias, vida econômica e social, visão estratégica de defesa, proteção das minorias. Um verdadeiro projeto de cidadania que hoje pode servir de referência e de exemplo para muitas comunidades e muitos governantes.
Penedo tem uma história que os penedenses precisam aprender a escrever, porque Penedo tem que estar acima de tudo!
21 de Novembro de 2006 às 18:57
Martha Martyres
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